Comer em casa ou fora: o que é mais barato?
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sexta-feira, 07 de outubro de 2011
Aline Vilalva <br> Reportagem Local 
Seja por falta de tempo de cozinhar, por estilo de vida, ou por morar longe do trabalho, atualmente, comer fora de casa tem se tornado cada vez mais comum. No entanto, é necessário ficar atento ao valor gasto com as refeições para não comprometer o bolso. A saída é colocar tudo na ponta do lápis para saber se vale a pena ir para casa ou comer em restaurante.
Como os aglomerados urbanos eram menores nos anos de 1970 e o tempo de intervalo para almoço maior, era comum que os trabalhadores almoçassem em casa. A partir da década de 1980, com o crescimento das cidades e a redução do horário de almoço - porque os funcionários passaram a compensar o sábado e as indústrias adotaram os turnos, comer no trabalho ou próximo a ele tornou-se a melhor opção de custo-benefício para muitos. A observação é do economista Cid Cordeiro.
Vários pontos devem ser considerados antes de optar por fazer as refeições em casa ou fora. Cordeiro explica que se em um restaurante a pessoa vai gastar entre R$ 8 e R$ 15, por exemplo, a refeição em casa tem que sair por menos de R$ 8 para valer a pena em termos econômicos, incluindo o que foi dispensado para a compra dos alimentos, dos itens secundários - como gás, água, produto de limpeza -, e também o quanto foi gasto para locomoção.
O economista lembra, ainda, que é necessário levar em conta o tempo de preparo e de deslocamento e, por outro lado, os laços familiares. ''Tendo em vista todos esses pontos, não tem como apontar o que é mais barato porque depende da realidade de cada um'', afirma.
Para a professora de Economia do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), Maria Eduvirge Marandola, comer fora acaba saindo mais barato pelo custo de oportunidade, que envolve o tempo dispensado para o preparo da refeição, os ingredientes, as possibilidades de diversificação e o deslocamento. ''O ideal é que a família equacione quantos membros tem e contabilize quanto custa o deslocamento deles'', explica.
Maria Eduvirge observa que, dada a flexibilidade de escolha, geralmente os restaurantes com comida por quilo são opções que oferecem melhores condições. ''Sempre é necessário levar em conta as variedades disponíveis, a qualidade do que está sendo servido e também o preparo do alimento, ou seja, as condições de higiene do lugar'', diz. Para economizar em uma opção por quilo, a dica é escolher somente o necessário e também dispensar a sobremesa e o refrigerante.
A professora aponta que a alimentação é o primeiro item das necessidades básicas, portanto fica difícil estabelecer um padrão para esta finalidade, visto que há uma diversidade muito grande de orçamentos, bem como tamanhos diferentes de famílias.
De acordo com o professor de economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Renato Pianowski, na maioria dos casos, cozinhar em casa é muito mais barato. Por outro lado, para quem trabalha no centro e mora em um bairro, às vezes vale a pena almoçar no restaurante porque o deslocamento acaba saindo mais caro do que a própria refeição.
''Existem opções muito baratas por quilo. Se souber dosar bem é possível gastar aproximadamente R$ 7, excluindo o valor da bebida'', diz. Levar a comida pronta para o trabalho é outra opção que tem a mesma economia que comer em casa. Pianowski ensina que a melhor receita é somar os gastos com alimentação e não deixar que eles ultrapassem 25% do orçamento.
Inflação
A última pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) divulgada pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) aponta que a inflação sobre a alimentação fora de casa superou a da alimentação em domicílio. No acumulado do ano, de janeiro a agosto, a alimentação domiciliar teve reajuste de 1,64%, enquanto no acumulado de 12 meses, subiu 9,59%. O IPCA da alimentação fora do domicílio, por sua vez, teve reajuste de 5,83% no acumulado do ano e de 11,51% nos 12 meses.


