A raiz da oportunidade
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de junho de 2012
Ricardo Maia <br> Reportagem Local 
Com uma área de plantio superior a 180 mil hectares, o Paraná deverá colher neste ano cerca de 4 milhões de toneladas de mandioca. O volume, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ajudará o Estado a manter o status de segundo maior produtor do tubérculo do País, atrás somente do Pará, com 293 mil hectares plantados. A produção do Paraná neste ano se mantém estável em relação aos últimos dois anos. Apesar da oferta ser a mesma, a demanda pela matéria-prima, motivada principalmente pela quebra de produção na região Nordeste do Brasil, tem deixado o mercado aquecido. Quem ganha com isso é a indústria paranaense.
Atualmente, o Estado concentra o maior polo de produção de fécula de mandioca do País. Ao todo, das 90 indústrias em operação no Brasil, 50 estão instaladas no Paraná. De acordo com o presidente do Sindicado das Indústrias de Mandioca do Paraná, João Eduardo Pasquini, 75% da produção brasileira de fécula sai do território paranaense. Segundo ele, só a região Noroeste corresponde por 40% desse total. ''Somadas, as indústrias do Estado chegam a produzir 400 mil toneladas de fécula por ano, volume que atende a demanda das regiões Sul, Sudeste e algumas localidades do Nordeste do País'', revela.
Pasquini afirma que o motivo dessa concentração se deve às boas condições de clima e solo que a região oferece para a produção de mandioca. ''As indústrias estão vivendo um momento razoavelmente favorável, principalmente porque já possuem uma clientela fidelizada'', comenta. Neste ano, Pasquini estima que as indústrias mantenham a produção média do Estado de 400 mil toneladas de fécula.
No campo
De acordo com o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Enio Luiz Debarba, o volume de produção de mandioca, calculado em 4 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo do que o de 2011, se dá porque no ano passado houve uma elevação na colheita do tubérculo de dois ciclos. O agrônomo explica que diferentemente da cultura de grãos, que é plantada e colhida no mesmo período, a extração da mandioca pode ser prorrogada em até um ano e meio. Nesse caso, se denomina tubérculo de dois ciclos. Prolongar a colheita, garante Debarba, proporciona raízes maiores e de melhor qualidade. Porém, muitos produtores plantam e colhem em uma mesma época, o que se denomina como mandioca de um ciclo.
Em Paranavaí, maior região produtora do Estado, o volume de produção neste ano também deve ser um pouco menor. O motivo, destaca Debarba, é que quase toda a mandioca de dois ciclos já foi colhida no ano passado. ''Em 2011 a área plantada na região foi de 35,2 mil hectares, sendo colhidas mais de 827 mil toneladas''. Para este ano, mesmo com a ampliação da área para 38,5 hectares, a produção é estimada em 808,5 mil toneladas. Debarba completa que a produtividade de uma colheita da mandioca de dois ciclos chega a 30 toneladas por hectare, enquanto a produção do tubérculo novo não passa de 18 ton/ha.
Ivo Pierin Junior, produtor de mandioca em uma área de 400 hectares e proprietário da Podium Alimentos, fecularia localizada na região de Paranavaí, afirma que essas oscilações de volume de produção são normais e não chegam a comprometer a indústria. ''Nesse ano, em específico, o aumento da demanda da região Nordeste (que sofreu com a seca e teve perdas na lavoura) deverá manter a indústria em crescimento'', acredita.
A unidade de processamento do produtor chega a moer 250 toneladas por dia. Vendo os bons resultados da atividade, o industrial planeja até o final de 2013 aumentar o volume de produção para 400 toneladas por dia. Para chegar a esse número, ele já realizou um plano estratégico de investimento na ordem de R$ 2 milhões. ''Um dos projetos é ampliar a unidade de produção, que hoje possui cinco mil metros quadrados'', destaca.


