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Londrina

Folha Vest

m de leitura Atualizado em 17/01/2022, 20:02

Redação da UEL pode fugir do formato tradicional

Em edições anteriores, manual do candidato deste concurso não informa tipo de texto que o vestibulando deve escrever

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Edson Neves/ Especial para a FOLHA
AUTOR autor do artigo

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 "A instituição quer um aluno que estabeleça relações, que é o princípio da opinião, ato que exige mais habilidade do candidato", afirma o professor do Marista  "A instituição quer um aluno que estabeleça relações, que é o princípio da opinião, ato que exige mais habilidade do candidato", afirma o professor do Marista
"A instituição quer um aluno que estabeleça relações, que é o princípio da opinião, ato que exige mais habilidade do candidato", afirma o professor do Marista |  Foto: iStock
 

O formato da redação do Vestibular da UEL (Universidade Estadual de Londrina) poderá ter novidades para a edição 2022. Isso porque nos informes dentro do Manual do Candidato - que é documento que traz todas as informações a respeito da prova - há uma pequena alteração no trecho em que fala sobre o teor da redação, abrindo margem para que a universidade aborde estruturas textuais diferentes do que vinha sendo feito até então, que era de dois a quatro textos, de temas variados, no modelo dissertativo-argumentativo.

No edição 2021 do Vestibular UEL, já com formato adaptado, a redação sofreu mudanças, reduzindo para um a quantidade de textos dissertativos-argumentativos, se tornando uma redação semelhante ao Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). O Manual do Candidato trazia a informação da seguinte maneira: "[...] A Prova de Redação, excepcionalmente, constituir-se-á de uma proposta (um único tema). A partir da leitura de textos verbais e não verbais, o candidato deverá produzir um texto dissertativo-argumentativo, de acordo com o enunciado proposto."

Em 2022, o parágrafo foi alterado para "[...] A Prova de Redação, excepcionalmente, constituir-se-á de uma proposta (um único tema). A partir da leitura de textos verbais e não verbais, o candidato deverá produzir um texto em prosa, de acordo com o enunciado proposto.", sem mencionar qual será o seu modelo.

"Ano passado a UEL deixou claro o que queria. Agora, o candidato deverá estar preparado para as diversas sequências textuais que terá que escrever. As vezes, pelo enunciado, o aluno não necessariamente deverá criar um texto dentro de um modelo específico e engessado, como no dissertativo-argumentativo, um conto ou uma crônica", explicou o professor Nilson Douglas Castilho, coordenador de ensino médio do Colégio Marista de Londrina.

Na opinião do professor, em decidir por não nominar o tipo textual que será exigido na redação do vestibular, a UEL pode se apoiar na chamada competência da escrita. "Dentro da proposta que a redação trouxer, o aluno poderá colocar em prática sua capacidade de argumentar, expor e narrar. Uma veia mais interpretativa", comentou Castilho, dando como exemplo uma proposta de relação de uma charge com seu conteúdo verbal, ou o famoso "discorra sobre o assunto". "O aluno pode trazer diferentes sequências textuais e apresentar essas competências", acrescentou.

Considerando esse cenário,  Castilho analisa que a Universidade Estadual de Londrina busca um aluno que tenha como qualidade a adaptação. "É preciso moldar a linguagem à situação comunicativa. Se eu quero defender uma ideia, eu preciso saber argumentar. Se eu quero trazer uma informação, eu preciso saber narrar", pontuou. E as mudanças não cabem, necessariamente, em um posicionamento por parte do candidato. "É importante (se posicionar), mas não serve para tudo. É importante verificar se o texto dará essa abertura".

Com a redução para um único texto, o professor do Colégio Marista de Londrina respondeu que não há uma vantagem ou desvantagem evidente e que a dificuldade varia de acordo com o aluno. "Um texto apenas pode ser desafiador porque há menos oportunidades de avaliação. Por outro lado, faz com que o candidato tenha mais foco", expôs.

Finalizando seu raciocínio, Castilho apostou que as mudanças que vêm sendo feitas pela UEL são totalmente válidas. "Sem se prender a um modelo de texto, é possível demonstrar melhor o que aprendeu durante os anos. Até mesmo como forma de incentivo às escolas, para abordar outros gêneros dentro de sala de aula, tirando todo esse foco que há em cima do formato dissertativo-argumentativo. A instituição quer um aluno que estabeleça relações, que é o princípio da opinião, ato que exige mais habilidade do candidato". 

- Ouça o podcast com esta entrevista. 

Veja as questões do Caderno 3 do Folha Vest.