Zoneamento economizou bilhões
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de novembro de 2003
Oswado Petrin<br> Reportagem Local 
Está sendo semeada mais uma safra de grãos, a sétima safra depois da implantação do Zoneamento Agroclimático, ou Zoneamento Agrícola, implantado em 1996 pelo ministro da Agricultura José Eduardo de Andrade Vieira. Não fosse o Zoneamento, o País poderia amargar uma perda entre 12,5% e 15%, pois é este - segundo dados oficiais - o número dos prejuízos sofridos pelos plantios fora da época ideal e outros parâmetros fixados pelo Zonaeamento.
As projeções para a safra de grãos deste ano apontam 125/127 milhões de toneladas. Ela seria reduzida, então, para pouco mais de 110 milhões de toneladas de grãos. O prejuízo não pode ser dimensionado apenas pela quantidade de grãos que se deixaria de produzir. Seriam contabilizados também os desperdícios em insumos (sementes, calcário, fertilizantes, defensivos), seguro e financiamentos.
Mas o Zoneamento está em pleno vigor e vem sendo obedecido, garantem técnicos do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Antes do Zoneamento, até 1996, o Brasil desembolsava 140 milhões de dólares/ano, através do Proagro, para indenizar perdas causadas pelo clima. Entre 1991 e 1995, o volume destinado à cobertura do seguro foi de 637 milhões de dólares. Somente nos três Estados do Sul, a dívida do Proagro com os produtores que perderam suas lavouras, por problemas climáticos, foi de 264 milhões de dólares.
O levantamento sobre prejuízos (antes do Zoneamento Agrícola) inclui as perdas em volume. No período estudado, 1991 a 1995, perdia-se do plantio à colheita entre 12,5% e 15% da safra.
Com a implantação do Zoneamento, o governo restringiu a distribuição de recursos às áreas de maior chance de sucesso. O resultado foi uma economia fantástica a tal ponto que a conta Proagro ficou superavitária. De lá para cá o Proagro, em vez de ser um saco-sem-fundos, tornou-se superavitário, portanto, segundo o Banco Central.
E as perdas em volume de grãos caiu de 15% - antes do zoneamento agrícola para atuais 2%.
Os dados são oficiais e foram fornecidos esta semana pelo técnico Luiz Antônio Rossetti, que coordenou a implantação do zoneamento agrícola no Brasil, iniciado no Estado do Paraná.
Pacote tecnológico -- Rossetti explica que o Zoneamento agrícola é um conjunto de técnicas que inclui conhecimentos científicos de agrometeorologia, histórico estatístico de clima e pesquisas. Soma-se a tudo isto, o conhecimento acumulado das instituições locais sobre cada região.
''Para a correta destinação do dinheiro público, racionalidade de recursos e redução dos riscos do agricultor, o zoneamento é um instrumento de política agrícola da maior importância. Veio para ficar. Foi implantado pelo ministro da Agricultura José Eduardo de Andrade Vieira e foi mantido por todos os demais ministros que o sucederam'' - lembra Rossetti.
O técnico conta que José Eduardo se impressionou com os valores da ''conta Proagro''. Achou que o Tesouro estava jogando dinheiro fora. Imediatamente convocou reunião com vários setores envolvidos: Banco Central e Banco do Brasil, como principal agente de crédito, e órgãos do próprio Ministério da Agricultura.
Naquele mesmo ano, junto à Embrapa e órgãos de pesquisa estaduais, foi iniciada a formação de uma base tecnológica para dar sustentação ao zoneamento, ''que não se resume apenas no conhecimento agrometeorológico'' - frisa Rosseti. Coube ao Iapar a realização do zoneamento agrícola do Paraná, com exceção da soja, que ficou sob a responsabilidade do CNPsoja, da Embrapa.
Esses anos de zoneamento agrícola já proporcionaram ao País redução de gastos com seguro de milhões/ano, afirma o engenheiro agrônomo Sérgio Luiz Gonçalves, com base em informações do próprio Ministério da Agricultura. ''O zoneamento - lembra - existe para dar parâmetros para o agricultor; mostrar as épocas e as área mais adequadas''.
Agricultura é atividade de risco porque opera com fatores imponderáveis como o clima, mas há instrumentos que minimizam esse risco. O zoneamento é o resultado de dezenas de anos de estudos sobre o clima de uma determinada região ou microregião.


