Zoneamento da soja já sofreu ajustes para este ano
Curitiba - O Ministério da Agricultura já atendeu à algumas solicitações do Noroeste do Estado no zoneamento agrícola de risco climático para a soja deste ano. Foram feitos ajustes, ampliando ou deslocando as janelas de plantios da cultura, além da indicação do tipo de solo 1 (mais arenoso) para alguns municípios da região. Segundo o Francisco Mitidieri, coordenador Geral de Zoneamento Agropecuário do Ministério da Agricultura, os pedidos de mudanças no zoneamento no Paraná se resumem aos solicitados pelo Noroeste.
O calendário tem o objetivo de se adequar a mudanças caso estudos da equipe técnica apontem para isso. ''O que existe é uma tentativa de aumentar cada vez mais a rede de informações climáticas. O trabalho é dinâmico a medida que novos dados vão sendo incorporados, fazendo uma sintonia fina para que reflita a realidade de plantio de cada região'', explica Mitidieri, dizendo que novos municípios podem ser indicados no zoneamento e outros podem sair, de acordo com as análises técnicas anuais.
''Temos atendido sistematicamente às solicitações do Noroeste e fazemos as revisões pertinentes. Mas não podemos deixar de ressaltar que essa região apresenta condições climáticas que pedem bastante cuidado em termos de riscos'', disse Mitidieri. ''A indicação do zoneamento são os períodos de plantio e solo por cultivares que amenizem os riscos climáticos e não a época de maior produtividade. A referência é outra'', enfatiza ele.
O zoneamento serve para planejamento e tem potencial para ser utilizado por todos. Mas existe quem não conheça seus mecanismos. ''Já ouvi falar uma vez, mas não sei como funciona. Uso as previsões do tempo, mas pela televisão'', conta o agricultor Hamilton Porssebon, de 52 anos, que cultiva, principalmente, couve-flor em sua propriedade de 30 hectares. Lá, a hortaliça é cultivada o ano inteiro alternando variedades para cada estação e sempre ''antenado com as previsões climáticas''.
''Aqui é muito próximo do Litoral e existe muita variação de temperatura. Depois de oito meses praticamente sem chuvas e com a presença mais significativa do El NiÀo, certamente agora vai chover bastante porque sempre foi assim'', afirma com segurança Porssebon. Ele prefere apostar nos conhecimentos adquiridos ao longo de 40 anos na agricultura do que em informações de técnicos do setor. ''Trabalho com o comportamento climático do ano anterior, além disso acompanho as informações dos meteorologistas. Mas digo que é uma questão de sorte. Às vezes, as previsões acertam e outras não. Ouço também a minha intuição'', diz o agricultor. (F.G.)





