A pesquisadora em agrometeorologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) Heverly Morais explica que ainda não está nada provado em relação às mudanças do clima nos últimos anos. Porém, ela destaca que a tendência é de aumento na temperatura, conforme apontam estudos publicados pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês). Heverly observa que cada cultura tem uma característica de reação com o aumento de temperatura. "Se realmente houver um aquecimento nos próximos anos, o que irá ocorrer é uma mudança no zoneamento agroclimático."
No Oeste paranaense, por exemplo, a soja, predominante na região, pode ser substituída futuramente pela cana-de-açúcar, que se adapta melhor ao calor. Já a oleaginosa pode migrar para regiões mais frias, como Guarapuava e Pato Branco.
No caso da cultura cafeeira, Heverly supõe que Minas Gerais e São Paulo poderão perder a produção para os estados do Sul do País. No Nordeste, as culturas de feijão e mandioca poderão desaparecer. A especialista enfatiza que a biotecnologia pode amenizar todos esses efeitos da elevação da temperatura.
Heverly aposta no sistema agroflorestal para minimizar as altas temperaturas nas regiões produtoras, mas destaca que o agricultor ainda não tem o suporte necessário para adotar tais medidas. Outra solução seria a adoção de um sistema eficiente de irrigação.

Cafeicultura
Raquel Ghini, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, realiza um estudo para ver o comportamento do café ao excesso de CO2. Em um talhão experimental na unidade localizada no interior de São Paulo, as plantas são bombardeadas diretamente com o gás para verificar como se comportam com a elevação da concentração do CO2.
Os resultados preliminares apontam um elevado crescimento da árvore, porque a planta realiza mais fotossíntese. Porém, Raquel destaca que o mato que cerca a planta também é beneficiado. O que a pesquisadora ainda quer descobrir é o efeito do CO2 sobre a qualidade do fruto, já que as plantas ainda não chegaram a produzir. (R.M.)

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