Casa própria, carro quitado, bom salário e uma vida tranquila na cidade com a esposa e filho. O motorista de uma grande construtora de Londrina Clóvis Garcia Carneiro não tem do que reclamar quando se trata das oportunidades que a área urbana lhe ofereceu.
Em 2001, aos 18 anos, ele resolveu sair da propriedade da família, de 5,5 alqueires, próxima a Lerrovile, para tentar uma vida mais rentável na cidade. "Éramos em seis irmãos e naquela época a agricultura familiar não tinha tantos subsídios como tem hoje, não se ajudava tanto os pequenos. Meus pais não conseguiriam sustentar todos nós e por isso acabei deixando as terras", lembra.
Com o ensino médio completo, Carneiro trabalhou em lojas de materiais de construção, equipamentos para construção civil até conseguir uma oportunidade como motorista, há três anos. Com o salário que considera bom para sustentar sua família, ele fica em dúvida se a área rural conseguiria remunerá-lo no mesmo patamar. "Na época isso seria impossível. Hoje, acredito que talvez seria diferente, existe uma valorização maior dos produtores. Meu pai está começando a aproveitar esse momento, investir um pouco mais", explica. "Hoje, estão na propriedade meus pais e apenas um irmão. Eles trabalham na atividade leiteira."
Apesar de uma vida que considera tranquila na cidade, o motorista não titubeia quando questionado se voltaria a morar na área rural. "Está no meu sangue, é um sonho que ainda não parei para pensar como vou realizar. A cidade tem violência, trânsito, correria. Acho que no campo daria uma vida melhor para meu filho e minha esposa. Mas, para retornar e ter o salário que ganho aqui na cidade, teria que me atualizar, fazer cursos, já que hoje o campo conta com maquinários modernos e muita tecnologia", comenta Carneiro. (V.L.)

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