Vocação para a vida rural
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sábado, 11 de dezembro de 2004
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
Dois tratores, uma colheitadeira, dois implementos novos e uma mudança radical no jeito de tocar a propriedade. Essas foram algumas das opções e investiemntos feitos, nos últimos cinco anos, pelo produtor Daniel Carrara, 51 anos, de Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina). A motivação foi a certeza de que os dois filhos, Marcelo, 24, e Ivan, 22, iriam ficar e auxiliá-lo na administração do sítio. ''A vida na roça é muito sofrida e tem pouca recompensa mas, como eu, é o que eles gostam de fazer'', justifica, sem esconder a satisfação pela continuidade do trabalho.
Carrara possui três pequenas propriedades (a última delas foi comprada em 1999) que somam juntas 21 alqueires. Antes da decisão dos filhos o produtor se dedicava ao cultivo de café e bicho-da-seda. Atualmente, eles plantam soja, milho e trigo. A mudança no cultivo levou-os a ampliar a área plantada em mais 60 alqueires com o arrendamento de terras vizinhas. ''Para sustentar todo mundo era preciso ter um pouco mais de rendimento'', explica.
Não há dados oficiais, mas alguns estudos de caso apontam que, na atualidade, são poucos os filhos de produtores que assumem o trabalho no campo. Segundo o agrônomo Sérgio Carneiro, da Emater, a continuidade ocorre por opção. ''São jovens que têm vocação para o trabalho na terra e se preparam para isso'', observa. Além da falta de vocação, há situações, como na agricultura familiar, em que o tamanho da propriedade não permite o sustento dos filhos.
Pela característica ''sofrida'', do trabalho rural, há pais que preferem investir na formação dos filho, dando-lhes estudo de boa qualidade, para que tenham outra opção de vida. Neste caso, estão as propriedades médias e também a propriedade familiar diversificada com renda mensal de R$ 2 mil. Outro caso apontado pelos estudos da sucessão familiar, é a da masculinização do meio rural. ''As moças não pensam em ficar na propriedade'', informa Carneiro.
Novas atividades A tendência de futuro mais evidente, entretanto, é o envelhecimento de quem administra a propriedade. ''A idade média do campo aumenta''. Esse quadro, de acordo com Carneiro, já é evidente em países da Europa, como Portugal. Para se adaptar a isso, o meio rural exige uma série de mudanças, ''inclusive conceitual'', enfatiza. A propriedade rural, então, passa a executar outras atividades não agrícolas, como o turismo rural e a prestação de serviços. A família fica no campo e o maquinário deixa de atender só a propriedade para assumir a terceirização de serviços. ''São estratégias de sobrevivência ou mesmo de acúmulo de capital'', explica.


