São Paulo - A Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos) espera fechar ainda este ano uma parceria com o Ministério da Agricultura e com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) para impulsionar as vendas externas de leite e derivados do País. "Criar uma plataforma de exportação é um desafio novo para o setor. Sempre tivemos o Brasil como o grande mercado e as vendas externas sempre foram pontuais", afirma Marcelo Martins, diretor executivo da entidade, que reúne fabricantes como Danone, Vigor e Lactalis, e entidades do setor.
A Viva Lácteos pretende trabalhar com o ministério, na abertura de mercados, e também com a Apex, para reforçar a promoção de marcas brasileiras em países específicos. Segundo Martins, a associação realizou um levantamento preliminar e traçou oportunidades para o setor em documento entregue a representantes dos dois órgãos.
A entidade considera haver possibilidade de aumentar a fatia de lácteos brasileiros na África do Sul, Angola, Arábia Saudita, Argélia, Chile, Egito, Emirados Árabes Unidos e Rússia. Esse espaço extra seria conquistado por meio de ações com a Apex. Dentre os mercados a serem abertos, a entidade destaca o potencial de China, Panamá e Vietnã.
"Também demandamos cotas e a ampliação de cotas aos Estados Unidos, Equador e Colômbia", afirmou Martins, em entrevista ao Broadcast Agro, serviço em tempo real da Agência Estado. Além disso, a Viva Lácteos espera que a Bolívia confirme uma missão para habilitar plantas brasileiras em breve. "Isso já está de certa forma adiantado", diz, sem mencionar previsão para a visita.
O projeto também tem como objetivo diversificar os parceiros comerciais do Brasil, que é muito dependente das vendas à Venezuela. No primeiro semestre deste ano, por exemplo, o País vendeu US$ 98,9 milhões em leite e derivados, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Deste montante, US$ 62,4 milhões (63%) vieram do comércio do leite em pó com o país latino-americano. O número de importadores aumentou este mês, com a Rússia abrindo as portas para o leite em pó produzido no Brasil. Ao todo, 11 empresas foram credenciadas para exportar e a Viva Lácteos espera que o País venda 20 mil toneladas do produto ao ano para os russos.

Preços baixos
A Viva Lácteos acredita que a parceria firmada não resultará em recuperação dos embarques em 2015. De janeiro a junho, as receitas com as vendas externas caíram 38,6% em comparação com o ano passado. "Talvez não consigamos avançar muito este ano nas exportações, mas precisamos ter projetos de curto e médio prazo", afirma o diretor executivo.
O excesso de oferta de produtos lácteos e a queda na demanda chinesa derrubam preços no mercado internacional e dificultam os embarques brasileiros este ano. No GlobalDairyTrade, plataforma de comércio on-line criada pela Fonterra, maior empresa de lácteos do mundo, os preços estão em queda há nove leilões. A tonelada dos laticínios vendidos caiu 38,3% no período, para US$ 2.082 a tonelada em 15 de julho. "O que ouço dos associados é que 2015 está muito difícil para exportar, por causa dos preços internacionais", afirma Martins. "Mas acreditamos que precisamos estar muito bem estruturados para termos condições de vender ao exterior", diz.

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