Os parreirais de Marialva nunca estiveram tão produtivos. Só neste ano, a região espera colher 50 mil toneladas de uva. O volume, de acordo com dados da secretaria de agricultura do município, é 3 mil t a mais do que no ano passado. De acordo com a entidade, se confirmada, essa deverá ser uma das melhores safras dos últimos 5 anos. Entretanto, o que deveria ser motivo de comemoração, está se tornando um problema para os produtores locais. Com a elevação da oferta de empregos no centro urbano, a mão de obra na zona rural está sumindo. Atraídos por promessas de melhores salários, muitos trabalhadores, principalmente os mais jovens, têm deixado os parreirais em busca de conforto e melhores condições de vida na cidade.
Silvia Capelali, engenheira agrônoma do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Marialva, explica que muitas famílias estão saindo da zona rural para trabalhar na construção civil. ''A cidade está crescendo e esse setor tem buscado cada vez mais trabalhadores''. Silvia acrescenta que a promessa de carteira assinada, incluindo benefícios trabalhistas como vale transporte e refeição são fatores que motivam os trabalhadores a deixarem o campo. A especialista destaca que o atual sistema de pagamento nas lavouras de uva não tem convencido os trabalhadores a ficarem na zona rural. Hoje, segundo ela, há dois tipos de pagamentos: um é o sistema participativo familiar, onde cada família recebe 30% do valor da produção, e o outro é o pagamento por diária, que atualmente gira em torno de R$ 40.

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