Visão integral da propriedade
A integração lavoura-pecuária é comprovadamente eficiente. Porém, não basta a tomada de decisão em adotar o sistema. Para ter sucesso, o produtor deve ter condições de desenvolver com profissionalismo as atividades da pecuária da agricultura. É muito difícil que um pecuarista, por exemplo, se convença de que os investimentos em insumos e equipamentos para o cultivo de grãos serão compensatórios.
Grande defensor e um dos incentivadores do projeto, Elir de Oliveira, pesquisador do Iapar atualmente licenciado - ele é prefeito de Palotina - enfatiza a necessidade de uma mudança cultural dos agricultores. ''O produtor deverá ter um perfil e um entendimento que o sistema vai exigir eficiência nas duas atividades'', afirma.
Segundo Oliveira, é preciso ter uma visão integral da propriedade e dispor de conhecimentos sobre zootecnia, fitotecnia e nutrição animal, além de uma eficiente assistência técnica. Os produtores rurais, segundo Oliveira, naturalmente se atêm à sua atividade principal. ''Mas estamos vivenciando uma mudança social grande com os filhos dos agricultores assumindo as propriedades'', afirma, lembrando que a nova geração tem acesso às novas tecnologias por meio de cursos da área de ciências agrárias.
''Há um grande leque de opções tecnológicas, que requerem profissionalismo'', diz. Segundo ele, o sistema traz inúmeras vantagens, mas há um risco, como a frustração que atingiu agricultores que optaram pela soja nas safras de 2004 e 2005, que teve grandes perdas por causa da estiagem.
O sucesso, como defende o pesquisador, depende de empenho e organização. Ele afirma que o produtor, junto com o técnico da extensão, deve fazer o planejamento estratégico da propriedade, definindo as espécies que serão plantadas, dependendo da aptidão da região, e antevendo eventuais problemas.
Ele cita o exemplo do brizantão, forrageira com alto teor de proteína, com enraizamento profundo, que favorece a renovação dos nutrientes do solo, e que permite ganho de peso de 1,1 quilo em novilhas. A soja, segundo Oliveira, é excelente opção para compor o sistema, porque tem rentabilidade segura.
Setenta por cento de um total de 3 milhões de hectares degradados no noroeste do estado inspiraram a realização do projeto que visa a adoção de práticas que viabilizem a pecuária, principal atividade da região. A nova tecnologia, segundo os técnicos, pode mudar a mentalidade dos produtores, que nunca se preocuparam em fazer adubação ou manejo das pastagens.
A recuperação das áreas degradadas pode começar com técnicas de reforma de pasto, o que já vem sendo estimulado nos últimos anos. De acordo com Márcia Laino, chefe do escritório da Seab em Umuarana, há algumas experiências de enfrentamento do problema, ainda insuficientes. Para ela, não existe solo ruim, só a necessidade de implantação de atividades de acordo com a aptidão. Laino também questiona o mito de que a cana-de-açúcar pode ocupar áreas de produção de comida e de pastagens. ''Ao contrário, a cana pode compor o sistema como um alternativa de renda e de alimentação aos animais'', argumenta. (R.C.)





