O Pronaf, além de melhorar a qualidade de vida dos pequenos agricultores, está mudando a relação do produtor com o banco. Antes do Pronaf, o produtor, além de não ter acesso ao crédito, ainda tinha medo de bancos. Não sem razão.
A opinião é do engenheiro agrônomo Nilson Ladeia Carvalho, secretário de agricultura do município de Londrina. Ele não tem dúvida de que o governo do Presidente Lula vai ampliar os recursos do Pronaf, ''a julgar pela visão doPresidente sobre o assunto''.
No caso de Londrina, a meta é elevar de 300 para mais de 500 o número de famílias beneficiadas. A própria prefeitura, com a Seab e Banco do Brasil, pretende estimular os agricultores a entrarem no Pronaf. ''As condições são boas e o agricultor não precisa ter medo; ele só tem a ganhar. Além disso, o agricultor não está sozinho'', afirma Nilson. ''Ele tem apoio da Emater na elaboração dos projetos e toda orientação técnica, inclusive na comercialização; tem apoio da Secretaria Nacional da Agricultura Familiar e do município''.
Nilson é um dos técnicos citados por Paulo Roberto Mrtvi e pelos agricultores entre os que mais se empenharam para que maior número de agricultores recebessem os benefícios do Programa.
Segundo o secretário da Agricultura do município, os R$ 2.000,00 liberados pelo chamado Pronafinho, uma das linhas mais acessadas pelos produtores, aparentemente são pouco. Mas com esse dinheiro - observa - o beneficiário consegue melhorar em pelo menos em 50% as condições do seu solo e aumentar a produtividade. Além disso, ele tem o rebate de R$ 200,00 e a chance de acessar um valor maior de recurso. Nilson Carvalho garante que os agricultores honram os seus compromissos e vão melhorando progressivamente a sua condição perante o programa. O aval solidário tem um papel importante nessa performance. Com o pequeno produtor, seja ele proprietário tradicional ou assentado, praticamente não existe inadimplência: 98% das famílias financiadas pagam em dia seus compromissos.
O secretário municipal da Agricultura, reiterou que os produtores precisam aproveitar essa oportunidade e este momento político favorável. Lembrou que o presidente Lula, quando esteve na Fazendinha (Via Rural), durante visita à Exposição, ficou empolgado com o que viu em termos de agricultura familiar. Tanto que sua permanência na Fazendinha foi além do tempo previsto.
Nilson também observa que o Pronaf está ajudando os agricultores a se organizarem. O aval solidário é um processo de união e organização.
Perguntado se o Pronaf foi um divisor na história do crédito rural, Nilson buscou um exemplo de quando trabalhava em banco no Nordeste: ''Uns dez anos atrás o dinheiro do crédito rural era canalizando apenas para os grandes produtores. Os pequenos, quando conseguiam acesso, acabavam se endividando e até perdendo suas terras. Hoje o que temos -é importante frisar - é o resultado da conquista de uma luta e dos movimentos dos trabalhadores rurais. Ele observa também que houve sensibilidade do governo na época. E agora o Governo Lula vai implementar o Programa. Os governos têm por tradição não manter obras de seus antecessores. Mas, Lula, como o Programa é bom, resolveu mantê-lo e ampliar sua ação. Isto mostra que o Brasil está mudando, segundo Nilson.

mockup