A miniagroindústria de açúcar mascavo e rapadura da Vila Rural Novo Horizonte, construída pela Cohapar (Companhia de Habitação do Paraná) no município de Luiziana, próximo de Campo Mourão, começará a produzir em agosto, quando tem início a colheita da cana-de-açúcar. Onze famílias participantes do empreendimento dividirão as tarefas, desde a moagem da cana até a comercialização do produto já empacotado.
O presidente da Associação dos Produtores da Vila Rural Novo Horizonte, João Luiz Pimenta, acredita que depois da comercialização da primeira produção da agroindústria, os associados começarão a adquirir a matéria-prima de outros fornecedores do município. A cana-de-açúcar está sendo cultivada pelos moradores da vila numa área de um alqueire cedida pela Prefeitura de Luiziana.
‘‘A área de cultivo é pequena, mas aproveitaremos a nossa estrutura para aumentar a fabricação com produções de todo o município’’, diz Pimenta, lembrando que, de acordo com o resultado da produtividade na fabricação do açúcar mascavo e da rapadura, a associação poderá aumentar a área de produção coletiva.
Segundo a engenheira-agrônoma Laura Helena Goulart da Silva, da Emater, a idéia surgiu da necessidade de uma alternativa de renda para os produtores da vila rural. ‘‘Quando a Secretaria da Criança repassou aos moradores R$10 mil, os vileiros decidiram aplicar os recursos na agroindústria e começaram a comprar os equipamentos’’, informa Laura.
Além do açúcar mascavo, os produtores deverão produzir rapadura em tabletes de 15 gramas, que deverão ser comercializados como merenda escolar. Prevê-se que cada produtor ganhará cerca de um salário e meio mensal, apenas com a industrialização da cana-de-açúcar plantada coletivamente. Um alqueire de cana-de-açúcar deverá render em torno de 6 mil caixas de um quilo e meio, que podem ser comercializadas por R$5 cada, proporcionando um faturamento de R$33 mil ao ano. ‘‘Descontando energia, imposto e armazenagem, o lucro fica em torno de R$19 mil, o que significa um salário e meio ao mês para cada produtor’’, diz Laura.
A agrônoma lembra que o processo de fabricação é semi-industrial, com maquinaria, moedor de cana e batedor automático. ‘‘Depois de moída, a cana é decantada. Com a separação das impurezas, o caldo vai para os tachos e começa a ferver. Alcançando a temperatura ideal, o produto vai para a batedeira, para dar consistência e formar o melado. Conforme o tempo a ser retirado, forma-se o açúcar mascavo ou a rapadura’’, explica Laura.
Em relação à comercialização do açúcar mascavo, a técnica diz que o produto deverá ser comercializado já empacotado e que uma empresa do município de Tomazina já está interessada na compra de 30 mil quilos por ano.

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