Vida útil de um touro depende da raça
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sexta-feira, 12 de outubro de 2001
Cláudia Barberato De Londrina 
Em sua vida produtiva, que dura em média sete anos, um touro cobre de 30 a 70 fêmeas numa monta natural, originando de 150 a 170 filhos. Pela inseminação artificial, dependendo do seu potencial, ele pode produzir 200 mil doses de sêmen e originar 120 mil filhos. Um exemplo é o touro Gim de Garça, já falecido, mas que fez história na pecuária brasileira, tornando-se recordista em venda de sêmen.
O touro nelore Fajardo, por exemplo, é pai de 125 mil filhos, já produziu 250 mil doses de sêmen e ainda é virgem. Ele está em coleta na Lagoa da Serra, empresa de genética animal localizada em Sertãozinho (SP), há três anos e tem apenas nove anos de idade. Fajardo foi campeão em todas as exposições que participou, daí o mérito de estar em coleta de sêmen. É preciso reproduzir sua genética no maior número de filhos possível, explica o gerente de marketing da Lagoa da Serra e veterinário Maurício José de Lima.
Outro touro destaque na produção de sêmem, segundo Lima, entre as raças européias é o macho Sunny Boy, da raça holandesa. Ele produziu 2 milhões e 100 mil doses, 178 mil filhas só na Holanda, foi campeão canadense, e é considerado maior produtor de sêmen de todos os tempos.
Uma dos destaques da Lagoa atualmente, segundo Lima, é Kulal, macho nelore de apenas quatro anos de idade que já produziu em torno de 90 mil doses de sêmen e cerca de 40 mil filhos espalhados pelo País.
Vida útil
A idade para coleta depende da raça. Em raças zebuínas os touros começam a produzir sêmen a partir dos dois ou três anos de idade, podendo produzir até aos 15 anos. Normalmente, ficam na central cerca de cinco anos. Os reprodutores europeus são mais precoces e podem entrar em coleta antes dos 24 meses de idade.
O tempo de coleta, na verdade, depende mesmo é do animal. O que conta é que o animal continue produzindo sêmen regularmente mantendo suas boas características nos deus descendentes (filhos). A meta da Lagoa, por exemplo, explica Maurício Lima, é para que eles fiquem na central de três a quatro anos. ''Para manter o reprodutor em coleta, é preciso que ele seja um bom fornecedor de sêmen em quantidade, mas, principalmente, em qualidade.''
Exigências sanitárias
Segundo Lúcia Helena Rodrigues, gerente técnica da empresa, todos os reprodutores ao entrarem na central passam obrigatoriamente por um período de isolamento de 45 a 60 dias no quarentenário, onde são realizados os seguintes exames: sangue, urina, fezes, brucelose, tricomonose, campilobacteriose, leptospirose, tuberculose, pesquisa do vírus aftoso, leucose, tipificação sanguínea, cariotipagem, além de coleta e análise do sêmen para verificação de sua viabilidade de industrialização e exame andrológico.
Mesmo quando há saídas desses animais para participarem de leilões, exposições ou outros eventos, ao retornarem são novamente colocados no quarentenário. Caso ocorra algum problema, o reprodutor é retirado da central.
Como é feita a coleta
Antes de cada coleta é feita a higienização do animal com banho completo, seguido de lavagem da região prepucial com uma solução antisséptica e posteriormente com uma solução fisiológica. Após esse preparo o animal é pesado e encaminhado à sala de coleta, onde é feita a excitação visual, assistindo outros animais serem coletados.
Outra etapa de excitação é feita com o auxílio de outro animal ou no manequim mecânico, chamado de phanton. Este processo é realizado duas vezes por semana nos animais já adaptados e, nos novos e mais velhos, uma vez por semana.
Em cada dia de coleta, explica Lúcia, o touro é submetido a dois saltos. Em cada salto produz de 4 a 8 ml de ejaculado, que pode resultar em 200 a 300 doses de doses de sêmen industrializado. Enquanto se excita o animal, para que ele elimine bastante líquido seminal e libere um ejaculado mais concentrado, é feita a preparação da vagina artificial para a coleta, contendo água a 43 graus centígrados.
Depois da coleta destaca-se o tubo coletor no qual se encontra o sêmen, dando entrada imediata no laboratório, enquanto a vagina é encaminhada para a sala de lavagem e esterilização. No laboratório, o ejaculado é identificado e inicia-se o processo de industrialização.


