Vida nova e iluminada
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de agosto de 2006
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Do pesadelo ao direito a uma vida com mais conforto e bem próxima de uma eficiência produtiva. Assim poderiam se resumir as mudanças ocorridas na vida do agricultor José Raimundo da Silva, 64 anos, de Sapopema, com a chegada da energia elétrica em sua propriedade.
Em março do ano passado, a equipe da Folha Rural esteve na propriedade e deparou com seu estado de desespero. O cenário, um galão com o leite retirado no dia anterior totalmente coalhado. O produto havia sido guardado dentro da represa, na esperança de mantê-lo ''resfriado'' até que fosse recolhido por um autônomo. O produtor, em lágrimas, dizendo que o que lhe restava era jogar aos porcos todo o trabalho do dia anterior. A pauta chegou até a redação da Folha, por meio de um vizinho do agricultor, o também produtor Antonio Camilo da Silva.
A matéria foi publicada na edição do dia 12 de março de 2005. Naquela semana, o texto foi alvo de discussão na Assembléia Legislativa do Estado, sendo transcrita nos anais da Casa, com votos de louvor. Com base na reportagem, a Assembléia cobrou ainda uma solução para o problema junto às autoridades de direito.
Em dezembro de 2005, a luz chegou ao sítio, antecipando uma espera que poderia se estender até 2008. Agora, a propriedade, com uma certa dose de exagero, motivada pela emoção, está irreconhecível. As mudanças já começam na estrada de acesso à casa, que antes só se chegava à pé, depois de cruzar uma pinguela. ''A prefeitura ajeitou o carreador'', explica o filho Marcelo Pereira da Silva. José Raimundo não estava na propriedade no dia da visita da equipe da Folha Rural, pois havia ido à cidade para as compras do mês.
A casa onde moravam o produtor e dois filhos foi ampliada e ganhou, além das lâmpadas, freezer, televisão, tanquinho, um banheiro novo com direito a chuveiro elétrico (os banhos da família eram tomados praticamente ao ar livre, num cubículo construído ao lado do paiol, coberto com pedaços de sacos plásticos de adubo). A esposa de seu José Raimundo que, por problemas de saúde morava na cidade com uma filha, voltou para o convívio familiar.
No pasto, animais bem nutridos se fartam da mistura de cana-de-açúcar com capim napier triturado na hora e servido em diversos cochos instalados pela propriedade. O rebanho, que era de 20 animais, conta com 50 animais leiteiros. Dez vacas estão em período de lactação e diariamente são retirados 50 litros de leite. ''No verão a produção chega a 100 litros dia'', comemora.
O curral também foi reformado e os próximos investimentos da família, segundo Marcelo, serão a aquisição de uma ordenhadeira mecânica e mais vacas para o plantel. ''Nem penso mais em ir para a cidade. Aqui tenho muito serviço para fazer'', diz o rapaz que, na época, estava à procura de emprego. A coleta do leite continua ocorrendo em dias alternados, mas os galões agora são guardados no freezer. ''Graças a Deus encerram-se os três anos de escuridão. Aqui não se perde mais nada'', resume.


