Vida longa e produtiva ao solo
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sexta-feira, 08 de junho de 2007
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
A região norte do Paraná tem, comprovadamente, um dos melhores solos do mundo e a despeito de toda a pesquisa e informações repassadas pela extensão, parte dos produtores rurais não desenvolve a atividade dentro das normas adequadas para garantir a sua preservação. O resultado são toneladas de terra que se perdem ao longo dos anos com erosão, queimadas e outras práticas há muito condenadas.
O técnico Paulo Roberto Mrtvi, mestre em meio ambiente, do escritório da Emater, em Londrina, afirma que apesar da evolução do plantio direto na década de 1980, parte dos produtores não adotou simultaneamente técnicas de conservação, como terraços, adubação verde e rotação de culturas. ''Para garantir a manutenção das condições do solo não basta fazer o plantio direto na palha'', alerta.
O assunto é tema da dissertação de mestrado, realizada na Universidade Estadual de Londrina, em que pesquisou o impacto ambiental das atividades de um grupo de agricultores da microbacia do Ribeirão Jacutinga, em Londrina. Segundo Mrtvi, se não forem adotadas técnicas de conservação de solo adequadas, pode-se retornar à situação anterior aos programas desenvolvidos nos anos 1980, quando a agricultura enfrentava os problemas resultantes do modelo de exploração da chamada ''Revolução Verde''.
Este modelo de agricultura privilegiava culturas anuais de exportação, sem o devido cuidado com a conservação, o que provocou prejuízos com perda da fertilidade do solo, poluição ambiental, alto custo de produção com a utilização de agrotóxicos e adubação química.
''Naquela época, vendeu-se a idéia de que com o plantio direto não haveria a necessidade de adotar outras técnicas de conservação de solo'', diz. E o agricultor, relembra, não fez a conservação adequada por desconhecimento e por não ter se interessado em procurar mais informações. ''Tudo isso numa região cercada por instituições de pesquisa e extensão'', critica.
Os prejuízos com as práticas inadequadas são importantes. Segundo estudos, a perda média de solo - causada pela erosão - é de 20 toneladas por hectare ao ano, o que significa prejuízos em nutrientes de US$ 242 milhões/ano para uma área de 6 milhões de hectares. Segundo o técnico, outro problema são as queimadas ''Em cada safra, perdem-se em torno de 12 t./ha de solo com a queima de restos de cultura'', diz.


