Vida em meio a transformações
Da Redação
Poucos anos depois que o suplemento surgiu, em 10 de dezembro de 1969, trazendo na capa um ramo florido de café esperança de grande safra , a geada negra de julho de 1975 destruiu a base cafeeira da economia exportadora nacional. O Paraná, então maior produtor (hoje é o quarto) foi o Estado que mais sofreu danos. Porém, na mesma época surgiam as bases científicas para apoiar as transformações que a nova situação exigia: fundaram-se em Londrina o Instituto Agronômico do Paraná e o Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa-Soja). Essas unidades são hoje referências internacionais de pesquisa agronômica.
O mais antigo suplemento da Folha de Londrina-Folha do Paraná foi criado por iniciativa de um grupo de engenheiros-agrônomos, tendo à frente Florindo Dalberto, hoje presidente do Iapar. Florindo foi o primeiro editor. Sucederam-no, pela ordem, os jornalistas Renato Moreira, Oswaldo Petrin (hoje editor de Agribusiness, no caderno de Economia da FL), Bety Fagundes, Aurélio Albano (atual editor de Economia da FL) e, desde 1993, por Jota Oliveira. A equipe de jornalistas do caderno também mudou ao longo desse período e, além do editor, a equipe fixa é formada por Cristina Côrtes (redatora) e Cláudia Barberato (repórter). Matérias publicadas no suplemento, pela equipe própria e correspondentes, ganharam vários prêmios. O último desses prêmios foi conquistado por Cláudia Barberato o terceiro lugar do Prêmio Embrapa de Reportagem 1999, de caráter nacional.
MudançasFolha Rural acompanhou muitas transformações, algumas revoluções tecnológicas, outras na própria forma de atendimento à questão agrícola: 1) o nascimento da Embrapa com todos seus centros de pesquisa (39 unidades mais a sede) estrategicamente distribuídos no território nacional; 2) inauguração do Iapar; 3) criação do Proálcool (o lançamento foi na sede do Iapar, em Londrina, pelo então ministro das Minas e Energia, Cesar Cals, que viu exibição de um caminhão canavieiro movido a álcool; 4) surgimento, no Paraná, do plantio direto; 5) criação, no Paraná, do programa de microbacias; 6) nascimento e expansão da agricultura orgânica; 7) controle biológico de pragas e doenças; 8) novas variedades de plantas alimentícias; 9) inseminação artificial em bovinos e outros animais; 10) transferência de embriões; 11) rotação de pastejo; 12) confinamento de animais; 13) recuperação de pastagens; 14) desenvolvimento de equipamentos para tração animal; 15) máquinas mais eficientes de plantar e colher; 16) comprovação científica da eficácia de plantas medicinais; 17) agroquímicos mais eficientes e menos agressivos ao ambiente e ao homem; 18) extinção do IBC; 19) extinção do IAA; 20) criação da Associação dos Países Produtores de Café; 21) clonagem de animais e vegetais; 22) agricultura de precisão, comandado através de satélites artificiais; 23) transgênese e as primeiras plantas transgênicas; 24) criação, pelo Instituto Agronômico do Paraná, do sistema de café adensado; 25) modernos meios de irrigação, como pivô central; 26) tecnologia que permite o plantio de soja nas regiões Norte e Nordeste, de baixas latitudes; 27) plantio de trigo nas regiões quentes, como nos Cerrados e outras terras do Brasil Central; 28) variedades de culturas mais produtivas, o que resultou em saltos de produtividade das principais delas; 29) introdução da Informática no manejo da agricultura e da pecuária; 30) reintrodução da citricultura, após o controle do cancro cítrico na maioria das antigas áreas produtoras.
Muitas outras tecnologias ou inovações no tratamento dado à questão agropecuária apareceram ou desapareceram nesse período, mas restam ainda algumas questões crônicas como a falta de uma política agrícola duradoura e as resistentes barreiras internacionais à importação, por muitos países, de produtos dos agronegócios brasileiros.
DefiniçãoFlorindo Dalberto lembra que a Folha Rural surgiu no momento em que o Paraná vivia uma etapa crucial da definição de rumos de sua agricultura. Terminava a fase áurea do café e das suas culturas intercalares, conseguida às custas do desgaste quase irreversível da fertilidade natural dos solos. Ao mesmo tempo presenciava-se o surgimento daquilo que foi um processo de crescimento agrícola acelerado, baseado nas culturas de exportação, da mecanização intensiva, dos insumos industriais e às custas de uma crescente degradação dos recursos naturais, escreveu Florindo em artigo publicado na edição comemorativa dos 25 anos do suplemento.
Segundo ele, a derrocada do café fez emergir uma das agriculturas mais diversificadas do País. A transição, traumática no seu início, mostrou-se positiva do ponto de vista econômico, pela diversidade e pela produtividade alcançadas .Mas, como recordou, surgiram também os problemas não só os tecnológicos mas também aqueles ligados ao desconhecimento do melhor manejo das novas culturas e do solo mecanizado, e os sócio-econômicos. A concentração fundiária, o surgimento dos bóias-frias e o agravamento das diferenças sociais são alguns desses problemas.
Criada para difundir a experiência dos técnicos que trabalhavam na região e cobrir, na medida do possível, a lacuna deixada pela falta de um órgão de pesquisa local, a Folha Rural acabou registrando estas transformações ocorridas nos campos paranaenses e contribuindo, muito, para sanar as dificuldades geradas pelas mudanças.
O suplemento também deu sua contribuição à conquista de uma base tecnológica própria pelo Paraná. Florindo Dalberto lembra que o número 15 da F.R., publicado no dia 4 de setembro de 1970 portanto dois anos antes do Iapar ser oficialmente instalado em Londrina foi uma edição especial de 16 páginas sobre o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que então completava 83 anos. O objetivo foi motivar as lideranças e toda a sociedade a assumir a luta, até então restrita aos segmentos técnicos, para a implantação da pesquisa própria, conclui.Um tempo curto de vida, apenas trinta anos, foi marcado por uma revolução sem precedentes na história da agropecuária
Pivô central, tecnologia para irrigação surgida nos últimos 30 anosFolha RuralTrigo era raro no Paraná, que se tornou o principal Estado produtor do país





