Agregar valores à produção, dentro da propriedade, é mais que uma alternativa de renda para pequenos produtores. A transformação de matéria-prima em produtos beneficiados viabiliza a propriedade, fixa o homem no campo e também gera empregos. A idéia foi discutida durante o simpósio Verticalização da Produção Rural Familiar. Promovido pela Secretaria Municipal da Agricultura e do Abastecimento (SMAA), o evento tratou desde questões legais do artesanato rural até experiências em outros municípios, como o caso do Programa de Verticalização da Pequena Produção de Brasília (Prove).
Especialistas da SMAA apresentaram as propostas de verticalização para produtores londrinenses. Segundo o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Samir Curi, a prefeitura já tem incentivado a criação de agroindústrias familiares no município. ‘‘Queremos estimular o produtor a agregar valores a sua produção, viabilizando, assim, a pequena propriedade’’, diz. Atualmente, a secretaria tem cadastrados 40 agricultores que produzem pães, embutidos, queijos e outros produtos artesanalmente. A pretensão é atingir uma meta de 150 produtores. Para isso, a secretaria está oferecendo cursos e projetos de apoio à comercialização, como feiras-livres e o projeto ‘‘Direto do Produtor’’, que destina espaços em mercados municipais para os produtos do artesanato rural.
Poloni: produção de grãos para pequenos é inviávelO gerente de agroindústria da SMAA, Osvaldo de Souza Campos Júnior, lembra que existem outros trabalhos de incentivo ao artesanato rural. Entre eles, destaca-se a Câmara de Agroindústria Familiar. ‘‘Para ampliar a eficiência desses trabalho, é importante unir entidades, como instituições de pesquisa, órgãos do governo e universidades’’, explica. Outra idéia é auxiliar na concessão de unidades agroindustriais nas propriedades, principalmente no que diz respeito às normas sanitárias.
Integração‘‘Processar a matéria-prima na propriedade é uma excelente alternativa. Dá mais lucro’’, diz o produtor Wilson Hort, que trabalha com gado leiteiro e fabrica queijo frecal há 18 anos. Seus produtos são comercializados na Feira do Produtor e no espaço Direto do Produtor. Também são vendidos para mercados e restaurantes. Recentemente, Wilson Hort conseguiu, através da SMAA, uma parceria com a Cativa. Através de uma linha de produtos artesanais, a Cativa vai comercializar o produto de Hort, conhecido como ‘‘Queijo do Alemão’’.
O produtor está animado com a parceria. Ele conta que vai ampliar sua produção de 50 para 150 quilos diários. ‘‘Podemos chegar até a 500 quilos’’, diz. Para alcançar esse volume, Wilson Hort contratará mais mão-de-obra. ‘‘A agroindústria familiar tem essas vantagens: traz mais renda e gera empregos no campo’’, afirma o produtor.
NichosNilson Feitosa concorda. Ele deixou o trabalho de compra e venda de motos para, numa chácara no patrimônio Espírito Santo, produzir embutidos de carne bovina e de frango. ‘‘A produção ainda é pequena, cerca de 70 quilos por semana, mas compensa’’, conta. Ele está atendendo um nicho de mercado diferenciado, composto por pessoas que não consomem carne de porco. Apesar de estar atuando há pouco tempo na atividade, Feitosa acredita que logo terá que contratar mais mão-de-obra. ‘‘Estou investindo numa ótima atividade. A melhor fórmula para o produtor conseguir se manter na atividade é encontrar nichos de mercado’’, diz.

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