Viabilidade econômica
Viabilidade econômica
O pesquisador e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Maurício Sedrez dos Reis, finalizou no início deste ano um Inventário dos Recursos Florestais da Mata Atlântica, trabalho realizado pelo Núcleo de Pesquisa em Florestas Tropicais da UFSC, e tem pesquisado profundamente o palmito. Os resultados concluem que o palmito é o mais importante produto atualmente da Mata Atlântica.
Apesar do manejo sustentável ainda encontrar fortes obstáculos, fica demonstrado em seus estudos que a exploração de palmito na área sob manejo da Floresta Nacional-Flona (unidade de conservação) é altamente viável.
Segundo Maurício, o retorno ao investimento acontece já no primeiro ano, com um saldo líquido de R$708,94, sendo que nos anos seguintes do ciclo de corte a atividade exploratória proporciona um renda líquida anual de R$3.244,44, o que corresponde a 2,25 salários mínimos mensais. Esta remuneração é bastante significativa quando comparada com uma atividade agrícola, tendo em vista que a renda está sendo proporcionada por apenas um dos recursos potenciais que a floresta pode dar.
A produtividade de palmito, estimada 147,6 kg por hectare, é bastante elevada, considerando que a floresta se encontra em estádio de sucessão secundário. É claro que esta produtividade diz respeito ao primeiro ciclo de exploração da área, sendo que a estimativa para o segundo ciclo só será possível através da caracterização do incremento daquela população, obtida após uma segunda avaliação.
Considerando que a floresta apresentava um rendimento zero, devido a intocabilidade da área, com o manejo começa a significar um rendimento econômico para a propriedade rural. Esse rendimento, chamado por alguns autores de juro florestal, implica para o agricultor usufruir do manejo correto da floresta, sem comprometer a biodiversidade do ambiente, comenta Maurício. O palmito é perfeito como espécie de poupança para o produtor que pode dispor da planta a qualquer tempo, já que não existe época para sua colheita.
Neste contexto, o palmiteiro, na área de sua abrangência, se constitui em uma fonte potencial para o desenvolvimento sustentável de regiões com áreas de florestas nativas passíveis de serem manejadas. O custo de conservação dessas áreas é retribuído substancialmente se o proprietário manejar corretamente este recurso, finaliza. (C.C)





