Convicto de que a ‘‘vaca louca’’ não chegou ao Brasil, o espanhol Carlos Ugarte Garagalza, diretor técnico do Centro de Inseminação Aberekin S.A., da Espanha, lembra que a ‘‘guerra comercial’’ está só começando e que o Brasil precisa desenvolver mecanismos de controle sanitário e de qualidade que possam combater - de imediato - as especulações. Parceiro comercial da Araucária Importação e Exportação de Produto Animal, de Londrina, Carlos Ugarte esteve na semana passada na cidade.
Entre as sugestões, o veterinário lembrou a necessidade de um ‘‘Censo Pecuário’’ e, ao mesmo tempo, de uma mobilização dos integrantes da cadeia produtiva para o desenvolvimento de programas de rastreabilidade e qualidade para a carne bovina.
‘‘Na Espanha, temos o Eusko Label, um programa de qualidade que oferece carne sem risco de qualquer tipo de enfermidade ao consumidor final. Para o produtor, o programa garante - mesmo em períodos de crise da vaca louca - uma remuneração 20% a 25% superior em relação aos preços normais praticados pelo mercado’’, conta Ugarte.
O programa espanhol nasceu há seis anos através de uma iniciativa de pecuaristas e membros do Conselho Regulador de Label Basco de Qualidade Alimentícia, com a aprovação do Governo das Províncias Bascas, na Espanha. Segundo Ugarte, o selo de qualidade encontrado nos produtos que chegam ao mercado consumidor é uma garantia de que a produção foi acompanhada e inspecionada.
Segundo Carlos Ugarte, todos os animais destinados ao abate e inscritos no programa recebem um selo de identificação na propriedade. São alimentados apenas com proteína vegetal, suplementação somente à base de produtos naturais e, para cada tipo de produto a ser colocado no mercado consumidor, exige-se uma conformação de carcaça e um peso ideal a ser respeitado.
As regras estendem-se também ao abate e ao próprio mercado varejista, que deverá dispor de condições ideais para o armazenamento da carne. ‘‘É um programa de qualidade que não deixa dúvidas sobre a origem da carne e evita especulações sobre o produto’’, reforça Ugarte.
Na França, há 14 anos a marca ‘‘Blason Prestige’’ comercializa somente carne da raça limousin, proveniente de propriedades inscritas no programa qualidade que também estabelece critérios rígidos para a criação de bovinos e industrialização de produtos. ‘‘Não tenho dúvidas de que o caminho é o desenvolvimento de programas de rastreabilidade evitando-se ‘sanções comerciais’ que coloquem em dúvida a qualidade do produto. Hoje é preciso pensar do ponto de vista da segurança alimentar’’.

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