Vespas ajudam a combater lagartas em soja
O uso da vespa Trichogramma no combate às diferentes espécies de lagartas que atacam a cultura da soja tem se mostrado eficiente em experimentos realizados em campo pelo Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) em diversas regiões do Paraná. Segundo Nelson Harger, coordenador estadual da área de grãos da instituição, o objetivo da ação é reduzir o número de aplicações de defensivos, principalmente em locais de captação de água.
O trabalho de controle biológico nessas regiões consiste na soltura dessas vespas em áreas consideradas com alto grau de infestação com lagartas. "A soltura da vespa Trichogramma é indicada entre o 20o e 40o dia após a germinação da soja, ou seja, ainda quando ela estiver na fase vegetativa", observa Harger. As vespas, explica o especialista, parasitam os ovos das lagartas. A técnica é chamada de soltura por método de inundação.
As vespas utilizadas pelo Emater são produzidas pela Bug Agentes Biológicos, empresa especializada em controle biológico, sediada em Piracicaba (SP). Em uma parceria com o Emater, a empresa faz a distribuição de "cartelas" - cada uma contendo 100 mil vespas - nas unidades da instituição que estão realizados os trabalhos de controle biológico.
"Só na safra 2013/14 soltamos as vespas em uma área de 500 hectares", comemora o dirigente. Harger enfatiza que o Manejo Integrado de Pragas (MIP) realizados nas propriedades espalhadas por todo o Estado é constantemente avaliado. "O controle biológico é mais uma ferramenta do sistema e ela é bem eficaz no início da infestação", destaca o coordenador estadual.
Resultados
Harger aponta que a eficiência do sistema está ligada diretamente aos bons resultados. Segundo ele, ao todo foram realizadas nas áreas em testes duas aplicações de defensivos químicos contra percevejos, ante uma média estadual de cinco aplicações contabilizadas na última safra. "O nosso objetivo é levar equilíbrio ao ecossistema", sintetiza o pesquisador.
Em relação à biodiversidade, Harger observa que a soltura dessas vespas não causa grandes impactos, já que o ciclo de vida do parasitoide é muito curto. Porém, ele recomenda, antes de qualquer intervenção, seja ela química ou biológica, o uso de técnicas que indicam se a área está ou não com altos índices de infestação é fundamental. Uma dessas técnicas é a adoção do pano de batida, que verifica o número de insetos por metro linear. Especialistas da Embrapa indicam que se houver mais de 20 lagartas por metro deve haver uma intervenção.
Abaixo disso, a recomendação dos especialistas é não intervir. Contudo, Harger revela que 65% das aplicação de inseticidas nas lavouras paranaenses são preventivas, ou seja, muitas delas sem necessidade comprovada. "O acompanhamento do pano de batida deve ocorrer semanalmente", destaca. O coordenador orienta o interessado em adotar a técnica na próxima safra que procure uma unidade do Emater para obter mais informações.
Ao todo, na última safra, foram envolvidas 107 unidades do Emater no trabalho de Manejo de Integrado de Pragas com controle biológico, contando com a participação de 50 extensionistas. "Estamos preocupados com o aumento das pulverizações, por isso precisamos utilizar mais dessas ferramentas." Ele completa que a aplicação de defensivos em excesso pode prejudicar os inimigos naturais, como os fungos benéficos. (R.M.)





