A produção de hortaliças e legumes tem sido destaque no município de Maringá. Cores variadas e a aparência viçosa dos produtos nas bancas das feiras livres e gôndolas dos supermercados enchem os os olhos e despertam o apetite. Reunidos em associações, os horticultores são responsáveis pela produção de toneladas de olerícolas, que abastecem a região e até são levadas a outros centros, como é o caso da uva e abacate.
O produtor Luiz Toshiro Ito segue os passos do pai, Serao Ito, e planta verduras em 1,5 alqueire, na zona 8, em Maringá. Para ele, o município pode ser considerado referência na produção de folhagens. ''Mas ainda não somos auto-suficientes em legumes'', afirma. A produção média da família é de 300 maços diários de brócolis, 15 caixas de alface, 50 maços de almeirão, 50 maços de couve, além de 20 quilos de mandioca e 15 mil quilos de caqui por ano.
Luiz Ito considera que o negócio é bem-sucedido. ''Trabalho há muito tempo no ramo e isso faz a diferença'', afirma. E dá a receita do sucesso: ''O produtor tem que ser empresário, saber produzir e ter atenção à comercialização''. O trabalho une a família. Luiz, Serao e dois funcionários cuidam da plantação e a esposa de Luiz, Hassue, se dedica à entrega dos produtos.
Ito planeja mudanças na atividade. A propriedade está localizada na zona urbana e está cercada por condomínios residenciais. ''Somente com IPTU são R$ 5 mil anuais e a energia elétrica não sai por menos de R$ 1.500 mensais'', diz. Dessa forma, a área terá o mesmo destino dos vizinhos e será loteada. A produção será transferida para a zona rural, onde os gastos com ITR e energia elétrica são menores.
Marina Komenzaki trabalha de sol a sol para cultivar uma área de um alqueire, no Jardim Tabaetê, arrendada da instituição religiosa Congregação das Irmãs do Santo Nome de Maria. Há 21 anos, ela produz brócolis, beterraba, cheiro verde, entre outros. Reservada, não diz o quanto consegue ganhar na atividade e nem a produtividade, apenas ''que dá para viver''. A produtora administra sozinha a área e maneja com habilidade um trator. Os irmãos de Marina decidiram percorrer outros caminhos e há alguns anos vivem no Japão. Na lida nos canteiros Marina conta com a ajuda de porcenteiros.
Todo os dias Marina entrega produtos em sacolões. Parte é vendida para feiras e pequenos mercados e até por pessoas que comercializam as hortaliças de casa em casa. ''Não vendo para as redes de supermercados porque eles pagam muito pouco'', afirma. Mesmo assim, ela se queixa dos R$ 8,00 que recebe por 12 maços de brócolis e dos R$ 0,40 pagos pela unidade de alface.
Segundo ela, os poucos ganhos a impedem de investir na área. ''Preciso de uma outra máquina e uma estufa para conservar as verduras'', exemplifica. Marina reclama também do alto custo com insumos e da eletricidade, necessária para a irrigação. E se queixa da falta de estrutura e dinheiro para ''tocar'' os 8 mil pés de café que tem na área. ''Minha produção poderia aumentar bastante se tivesse como me dedicar mais'', diz.

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