Curitiba - Neste período do verão os acidentes mais comuns com animais peçonhentos ocorrem com serpentes, aranha marrom e lagarta lonomia também conhecida como taturana ou oruga. Em 2008, a Secretaria Estadual de Saúde recebeu 2.404 lagartas, em 2009 foram 6.674 e em janeiro deste ano 1.586. O número de acidentes com o inseto foi de 38 em 2008, caiu para 23 no ano passado e ficou em 11 em janeiro de 2010. Desde quando surgiram os primeiros casos no Paraná em 1989, ocorreram sete mortes.
Com aranha marrom aconteceram 5.464 acidentes em 2008, 5.633 no ano passado e 156 em janeiro deste ano. O número de acidentes com serpentes ficou praticamente no mesmo patamar com 1.011 casos em 2008 e 1.003 no ano passado. O calor e a época de férias contribuem para a intensificação do número de casos.
A lagarta lonomia tem espinhos através dos quais insere veneno na pele humana, o que pode causar hemorragia e até matar. O inseto tem cerca de 7 centímetros de comprimento. Depois de oito a dez horas do acidente a pessoa começa a apresentar manchas roxas pelo corpo e sangramentos através da boca e do nariz. O veneno altera a coagulação do sangue. A recomendação é procurar um serviço de saúde mais próximo e, se possível, levar a largarta ou tirar uma foto para facilitar a identificação que deve ser feita pelo médico. O tratamento é basicamente cinco a dez ampolas de soro.
As lagartas encontradas no Estado são coletadas pela Vigilância Sanitária e encaminhadas para a Secretaria de Saúde que envia os insetos para o Instituto Butantan, em São Paulo, para a produção de soro.

Aracnídeo
A aranha marrom tem 1,5 cm e com as patas abertas alcança o tamanho de uma moeda de R$ 1. O aracnídeo é encontrado principalmente dentro das casas em roupas, armários e atrás de livros. Não é agressiva, geralmente só pica para se defender. O grande problema é que a pessoa quase não sente a picada. Oito a dez horas depois, começa a aparecer uma lesão no local que se transforma em necrose.
A chefe do setor de zoonoses e animais peçonhentos da Secretaria Estadual de Saúde, Gisélia Rubio, alerta que a pessoa que for picada não deve espremer o local, passar pomada ou encontrar soluções caseiras como o uso de vinagre, sal ou alho. O tratamento inclui medicamento local, corticóide, antibiótico ou soroterapia. Tudo depende do grau da lesão que, se for muito profunda, necessita até de cirurgia para correção. Em casos mais raros, pode provocar até deficiência renal.

Serpentes
O grupo mais perigoso é o das serpentes botrópicas que incluem jararaca, urutu, jararacussu, jararaca pintada e cotiara. Elas são responsáveis por 80% dos casos de acidentes no Paraná. Neste ano, ocorreu um óbito de uma indígena em Cândido de Abreu (Região Central) provocado por uma serpente.
A picada causa hemorragia. Gisélia alerta que o local nunca deve ser amarrado porque pode agravar o quadro do paciente. A recomendação é retirar todos os acessórios que estejam apertando a pessoa como relógio, anel, cinto. A presença de uma aliança ou anel em um dedo picado pode provocar necrose já que é uma área pequena para circulação do sangue.
A dica é lavar o local com água e sabão e procurar um hospital. O tratamento é basicamente soroterapia. A pessoa pode resistir sem apresentar problema renal por seis horas.
A cascavel responde por 10% dos acidentes no Estado e está presente sempre em regiões mais secas com rochas e pedras. Como tem guizo, ''avisa'' quando está por perto. O acidente com essa serpente é mais grave e a pessoa picada pode ter comprometimento renal em três horas.
Já casos com corais verdadeiras são muito raros, mas representam o tipo de envenenamento mais grave, ou seja, a vítima tem apenas uma hora para procurar tratamento. O veneno provoca paralisia respiratória, ou seja, para o diafragma. Gisélia alertou que neste período que o Estado foi castigado com as enchentes, as serpentes nadam e, desta forma, podem entrar nas casas.
Os acidentes com escorpiões caíram entre 2008 e 2009 e passaram de 749 para 693, respectivamente. Os municípios que a Secretaria fez um trabalho mais intenso foram Barra do Jacaré, Bandeirantes, Jussara e Toledo. O veneno do escorpião atua no sistema nervoso e provoca dor intensa. A espécie mais perigosa é o escorpião amarelo.

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