Jota Oliveira
De Londrina
Tradicional produtor de feijão, o Vale do Ivaí, polarizado por Ivaiporã, está enfrentando dificuldades devido à estiagem, e tem produtor erradicando lavouras que não conseguem desenvolver-se. A informação é do engenheiro-agrônomo Roberto de Souza André. Ele trabalha naquela região, tem constatado que as lavouras estão ‘‘muito ruins’’ e prevê uma quebra mínima de 30% em relação à produtividade média regional.
Nos 22 municípios do Vale do Ivaí esperava-se o plantio de 78.500 hectares de feijão, nesta safra das águas, mas até agora o plantio não passa de 50%. O técnico agropecuário João Ricardo Pacholski, do Departamento de Economia Rural (Deral) no Núcleo Regional da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) sediado em Ivaiporã, diz que o principal problema desta safra têm sido os ventos frios, que prejudicam o desenvolvimento das plantas. Isso deve reduzir a produtividade, que em ocasiões normais é, em média, de 900 kg/ha.
Ainda se pode plantar feijão no Vale do Ivaí, mas as lavouras que forem plantadas até dezembro terão, pelo adiantado da época, produtividades menores. Pacholski diz que a área de feijão no Vale do Ivaí diminuiu, porque alguns agricultores não plantaram e outros perderam lavouras em desenvolvimento, devido ao frio e/ou à seca, e replantaram. Como replantaram mais para não deixar o solo descoberto, eles não usaram nem devem usar tecnologia, situação que também reduz a produtividade.
Aquela região é uma das maiores produtoras de feijão do Paraná, e 70% das variedades utilizadas são de cores, enquanto as variedades pretas ocupam 30% da área. O município de Cândido de Abreu tem a maior área plantada na região e o feijão preto predomina, com pouco mais de 50% do plantio total.
EstadoNo Paraná, o Deral estima a redução do plantio em 11,93% em relação à previsão inicial, que era a repetição dos 506.400 ha plantados na safra passada. Agora, a expectativa é de 446.000 ha na safra 1999-2000, segundo matéria divulgada dia 28 de outubro pela Assessoria de Comunicação do Governo do Estado.
Além de diminuirem o plantio, as baixas temperaturas e a dificuldade de germinação das plantas provocaram quebras nas lavouras semeadas mais cedo. Conforme aquela assessoria, até o final da semana passada as perdas chegavam a 17.300 toneladas de feijão e o prejuízo alcançava R$9,7 milhões. Esse prejuízo correspondia ao que o produtor deixaria de ganhar na comercialização do produto e às perdas com a aquisição de adubos e sementes.

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