Vender tecnologia para os trópicos
A experiência bem-sucedida da Embrapa no desenvolvimento de tecnologias para os trópicos pode significar mais do que um passaporte para o Brasil se tornar um exportador desse tipo de inovação. A aposta num futuro promissor e muito próximo foi enfatizada pelo diretor-presidente da Empresa, Silvio Crestana, durante o workshop sobre Desenvolvimento da Agricultura Tropical, que aconteceu esta semana, em Brasília. ''Nós não queremos ser compradores de ciência mas, se possível, vendedores de tecnologia agrícola tropical'', avisa
Crestana.
A projeção de Silvio Crestana sobre a contribuição da Embrapa tem base em uma notícia um tanto negativa: de 1979 a 2005 houve um aumento de 1º C de latitude na temperatura dos trópicos. Isso significa que a zona tropical cresceu em 110 quilômetros. Nesse ritmo é possível projetar mais 200 a 300 quilômetros de novas áreas afetadas por problemas climáticos no mundo. ''A intenção é resolver esse que é um grande problema da humanidade: a viabilidade de produção sustentável nos trópicos'', diz Crestana.
Segundo ele, uma das propostas do workshop, realizado em parceria com o Grupo Consultivo em Pesquisa Agrícola Internacional (CGIAR) e o Banco Mundial, é resgatar os avanços nessa área em mais de três décadas. ''O exemplo do ''boom'' do cerrado brasileiro na produção agrícola reforçará o que de melhor tem sido feito em regiões de clima tropical. E mais: a possibilidade de o mesmo ocorrer em países do Hemisfério Sul um dos motivos da instalação da Embrapa África, em Gana.''





