Vendendo só o necessário para pagar as dívidas
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sexta-feira, 15 de junho de 2001
Marcos Zanata De Maringá 
O avanço da cotação da soja não anima os produtores da região de Maringá. O preço da semana variou de R$ 19,30 a R$ 19,50, uma alta de pelo menos R$ 3,00 nos últimos 30 dias, mas que não alterou o ritmo da comercialização. O pessoal está vendendo apenas o necessário para pagar dívidas e custear as lavouras de inverno, diz o gerente de comercialização da Cocamar, José Cícero Aderaldo. Ele explica que a alta se deve a um avanço no preço internacional, aliado à variação cambial.
Na realidade, compara, a soja está a um preço abaixo da média esperada pelos produtores, que é de US$ 10,00. Na cotação da última quarta-feira, a saca de 60 quilos estava a US$ 8,20. Por isso acho que o maior volume de comercialização a partir de agora aconteça a partir de julho, diz Aderaldo. Ele calcula que pelo menos 50% da soja colhida na região de Maringá já saiu das mãos dos produtores.
O gerente não arrisca também fazer uma previsão para o futuro do preço do grão. A safra dos Estados Unidos, que está 86% plantada, pode afetar a cotação, mas bem lá na frente, diz. Outra influência que o preço interno pode sofrer é com a variação cambial. Único motivo do preço estar artificialmente alto, diz o agricultor Durval Rampelotti, que colheu 20 mil sacas na região de Maringá.
Ele acha que o preço de R$ 19,00 a saca não está bom porque reflete apenas a variação cambial, e vem depois de um reajuste nos insumos. O ideal era de US$ 10 a US$ 11 a saca e para ficar bom mesmo entre US$ 15 e US$ 16, afirma. Rampelotti promete esperar o máximo possível para vender o restante da safra.
O produtor Rogério Martins, que colheu cerca de 12 mil sacas em Quinta do Sol, não acredita em novas altas. O valor alcançado na última semana também não agrada Martins. Subiu porque o dólar já estava lá em cima, compara. Ele alega que já vendeu quase toda safra, mas pretende aguardar para comercializar o restante. Só tenho medo do preço cair mais ainda, diz.


