O produtor Nelson Menoli Sobrinho, de Grandes Rios (110 km ao sul de Apucarana), acredita que a baixa remuneração terá reflexos diretos na próxima safra. Sem condições de investir na lavoura, os produtores da região terão que primeiro saldar compromissos a curto prazo - como o financiamento da colheita, que vence em 90 dias -, para depois se preocuparem com as demais contas. ''Os últimos quatro anos foram de preços mais baixos que o custo de produção e quando finalmente o setor estava se recuperando, a Conab lança uma estimativa dessas. É tudo muito estranho'', diz.
Segundo o produtor, 41% da economia de Grandes Rios gira em torno da cafeicultura. São cerca de 180 famílias sobrevivendo diretamente dos cafezais e recebendo apenas R$ 215/saca após a colheita. Ele aposta que a venda parcelada do café não deixará o produtor descapitalizado. ''A única saída é realizar vendas mínimas, pois o preço ainda pode melhorar''.
Para o corretor Carlos Amaral, o produtor precisa estar atento ao mercado diariamente e realmente parcelar as vendas. Outra opção - que já é bastante difundida em Minas Gerais, mas que está apenas começando no Paraná -, segundo Amaral, é vender agora e entregar após a colheita da próxima safra. ''É uma opção interessante, pois o produtor vai se capitalizar sem juros'', afirma. Ele explica que para essa transação é preciso o aval do Banco do Brasil, pois o produtor irá receber por uma mercadoria que ainda não foi colhida. (M.G.)

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