Agricultura é uma produção a céu aberto sujeita a qualquer interferência de clima e também de mercado. Com medo de arcar com possíveis prejuízos que uma estiagem, geada, doença ou até mesmo oscilação de preço de uma determinada commodity possam provocar, muitos produtores acabam firmando contratos de vendas com preço fixo junto às empresas ou cooperativas para as quais destinam seus produtos. Essa estratégia assegura a eles, no mínimo, uma cobertura dos investimentos realizados durante a safra. Porém, o agricultor também pode deixar de ganhar, como está ocorrendo agora com a alta dos preços do milho e da soja.
Como um jogo de roleta, onde não se sabe onde a bola irá cair, com a aposta em venda em contrato também não há como advinhar o comportamento do mercado futuro. Para os contratos realizados nesta segunda safra, as apostas das cooperativas e dos produtores em relação ao preço do milho foram bem menores do que o valor atual da commodity. Um dos motivos é que não se esperava uma quebra na safra americana. O produtor Ricardo Amano, da região de Cambé, negociou em contrato o seu milho a R$ 20 a saca. ''Não sabíamos que os preços subiriam tanto'', salienta o produtor. Hoje ele se sente frustrado com a decisão que tomou na assinatura do contrato. Porém, declara que mesmo assim espera um bom retorno nesta temporada.
Marcelo Yukio Watanabe, agricultor em Marilândia do Sul, obteve um preço melhor pelo produto, fechando em contrato a saca a R$ 23. Neste ano ele espera colher em torno de 200 sacas por hectare, em uma área total de 192 hectares. ''É a primeira vez que plantei milho e o risco valeu a pena'', completa. Porém, Watanabe explica que para aproveitar melhor o bom desempenho dos preços das commodities, na próxima safra verão (2012/13) ele deve destinar somente 50% para venda em contrato, estipulado em R$ 54 a saca de soja. O restante o produtor conta que vai arriscar no mercado.
Ao todo, ele espera colher um pouco mais de 58 sacas de soja por hectare, em uma área plantada superior a 500 hectares. ''Na próxima safra verão vou destinar 100% da área para a produção de soja devido aos bons preços de mercado'', sublinha. Watanabe completa que o produtor deve saber negociar sua produção para melhorar a sua margem de lucro.
Laurindo Tetsuya Hiroishi, agricultor na região de Tamarana, se arrependeu de não ter investido mais na produção de milho nesta safra. Ao todo ele plantou 45,6 hectares com o cereal e 28,8 hectares de trigo. ''Para a próxima safra verão vou utilizar soja precoce para investir ainda mais na outra safrinha'', observa. Hiroishi destaca que o retorno com o milho poderia ter sido ainda melhor se não fosse a alta incidência de mofo branco. Para a próxima safra de verão ele já comercializou 70% da produção em contrato fechado a R$ 50 a saca. ''Apesar do arrependimento quando o valor da commodity está em alta, o contrato nos fornece uma margem de segurança'', completa. (R.M.)

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