Ribeirão Preto - Safra recorde de grãos, preços em bons patamares e uma grande demanda pela matéria-prima para biocombustíveis trazem ao agronegócio perspectivas positivas para os próximos anos. O bom momento da agricultura tem reflexos em vários setores da economia brasileira. O otimismo foi unanimidade entre os participantes da Agrishow - Feira Internacional da Tecnologia Agrícola em ação -, a grande vitrine de lançamentos e negócios do setor de máquinas agrícolas, realizada em Ribeirão Preto (SP) nesta semana.
Ao lado de tecnologias importantes e de avanços como a adaptação de motores de máquinas e tratores à utilização do biodiesel, indústrias de máquinas agrícolas comemoram o crescimento das vendas registrado nos últimos meses e a perspectiva de manutenção dessa tendência. Tratores, por exemplo, devem alcançar um incremento de 30% em 2008. ''No ano inteiro deverão ser disponibilizados nas revendas de 38 mil a 40 mil tratores, um recorde dos últimos 15 anos'', informa Fábio Piltcher, diretor de marketing da Massey Ferguson. Segundo dados da Anfavea, no primeiro trimestre deste ano houve um aumento de 47% no mercado de tratores e 115% nas vendas de colheitadeiras.
De acordo com o representante da empresa, o alto percentual de aumento das colheitadeiras é resultado da crise que afetou o mercado de grãos nos anos de 2003 e 2004. ''Com o novo cenário, a demanda por esses equipamentos naturalmente cresceu'', diz Piltcher.
A disputa por essa fatia do mercado é meta das indústrias brasileiras. Tanto que elas têm investido um importante montante no desenvolvimento de tecnologias para atender as necessidades das diferentes faixas de produtores. A Valtra, por exemplo, da corporação Agco, destinou US$ 30 milhões no ano passado na busca por equipamentos mais eficientes e com diferenciais, que lançou durante a Agrishow.
O diretor de marketing, Leandro Marsilli, afirma que a participação da empresa deve ultrapassar os 28% em 2008. A empresa também espera aumentar a participação no mercado internacional. Dos 15 mil tratores que serão fabricados este ano, 4.500 serão vendidos no exterior. A empresa amplia seu portfólio fabricando também colheitadeiras, que devem passar das 100 unidades este ano para 250 em 2009.
A cana-de-açúcar está entre as prioridades da indústria, que aposta no lançamento de equipamentos. ''O setor sucroalcooleiro responde hoje por 45% das nossas vendas'', diz Marsilli. A cana, segundo o diretor de marketing da Massey Ferguson, foi determinante para a indústria no período de crise no mercado de grãos. ''As unidades foram aproveitadas para atender produtores de cana, laranja, café, entre outras culturas'', diz.
O otimismo permeou conversas, negociações e previsões durante a Agrishow .Os organizadores estimavam no início do evento um faturamento superior a R$ 800 milhões. No ano passado, os negócios alcançaram R$ 710 milhões, superando em 42% o resultado da edição anterior, que foi de R$ 500 milhões.
Os 745 expositores mostraram entre 2.500 e 3 mil produtos para o agricultura e pecuária. Do exterior vieram cerca de 40 expositores.
A jornalista viajou a convite da organização da Agrishow

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