Venda de milho deve ser escalonada
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de março de 2002
Denise Angelo Equipe da Folha 
Curitiba - Os produtores paranaenses de milho já colheram cerca de 50% da área total destinada à cultura. Este ano, o milho ocupou 1,5 milhão de hectares, 20% a menos do que a área destinada no ano passado. Enquanto em 2001 o Paraná colheu 9,5 milhões de toneladas, este ano a safra não deve passar dos 7,2 milhões de toneladas.
Por causa da redução, a tendência é que os preços se mantenham firmes durante todo o ano. Durante a última semana, o milho ficou cotado entre R$ 12,00 e R$ 12,50 a saca no varejo. Para o produtor, o preço variou entre R$ 11,30 e R$ 11,80.
Venda parcelada
Com a safra colhida, começam a surgir as dúvidas do produtor sobre qual o melhor momento para vender. O economista da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, recomenda que as vendas sejam parceladas, aproveitando os picos de preços.
Segundo ele, a produção nacional deste ano deve ficar muito próxima da demanda e, portanto, a safrinha do milho será decisiva para orientar os rumos do mercado no decorrer do ano. Se a safrinha for boa, os preços podem cair no final do ano. Se houver frustração, chegaremos em dezembro com preços bastante altos. Mas o produtor precisa fazer as contas para ver se uma possível elevação dos preços vai compensar o custo do armazenamento do produto, alerta.
Um dos fatores que pode contribuir para a elevação do preço do milho é o desempenho das lavouras de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os dois Estados tiveram perdas por causa da seca. Turra acredita que assim que acabarem os estoques locais, estes Estados passarão a buscar milho no Paraná, aquecendo o mercado. Além disso, se for preciso exportar milho, o economista acredita que o produto não chegará por menos de R$ 16,00 a saca no porto. Ou seja, quem tiver milho guardado conseguirá preços próximos do que a cotação do mercado internacional.
As exportações de milho este ano devem variar de acordo com a taxa cambial. Se o câmbio ficar em até R$ 2,40 deveremos exportar 3 milhões de toneladas. Se o câmbio passar de R$ 2,50 as exportações certamente passarão de 4 milhões de toneladas, prevê Turra.
Diante de tantas possibilidades, Turra salienta que mais do que nunca o produtor precisa se manter bem informado para aproveitar as oportunidades de bons preços que surgirem no decorrer do ano.


