Venda de matrizes cai 50%
As granjas que trabalham com genética e comercializam animais de maior valor agregado também estão preocupados com o cenário atual da suinocultura. Mais do que a alta do milho, o dólar valorizado impacta em outros produtos utilizados no manejo dos animais.
Nilson Guidoni, proprietário da Granja Peru, em Arapongas, está há 40 anos na atividade. Ele comercializa, em média, mil animais mensalmente, sendo 60% do volume voltado para o abate e 40% de reprodutores.
Guidoni calcula que vendia em torno de duas cargas de matrizes por mês, o que totalizava em torno de R$ 200 mil mensais. Agora, com a situação mais crítica, a comercialização caiu pela metade.
"Hoje, com a essa retração de preços, ninguém vai investir em matrizes. O pessoal, de forma geral, quer diminuir o plantel para sobreviver na atividade, já que os custos de produção estão altos. No final das contas, o consumidor vai acabar pagando a mais pela conta."
Hoje, com o dólar e o farelo de soja nas alturas sem contar os outros insumos o suinocultor estima uma perda de R$ 120 a R$ 150 por animal abatido. "Ninguém vai suportar, das grandes empresas aos pequenos suinocultores. As granjas estavam estruturadas e gradativamente vão perder isso, com a diminuição de funcionários, consumo de ração, o que pode prejudicar até os produtores de milho e soja. Tem muita gente que depende da cadeia da suinocultura", salienta.
Se o cenário continuar desta forma, a Granja Peru, que hoje conta com 12 funcionários, pode reduzir os colaboradores pela metade. "Posso acabar reduzindo a equipe em 30% a 50%. Além dos funcionários, vale lembrar que é preciso manter toda uma estrutura, sem contar a energia elétrica, que hoje está três vezes mais cara. É uma situação complicada porque em 2014 estava vendendo o quilo do suíno a R$ 5 e hoje já se fala em R$ 2,70. Eu acho que está faltando planejamento do governo para solucionar esta situação do milho", opina Guidoni. (V.L.)





