Marcos Negrini
FR 12A 27
Cecília administra a fazenda, cuida dos filhos, participa de entidades filantrópicas e arranja tempo para fazer pintura em porcelana


Maringá - A agricultora Cecília Falavinha, de Maringá, praticamente foi obrigada a entrar na atividade agrícola, mas hoje afirma que é vitoriosa na profissão. Há cinco anos quando perdeu o marido, Cecília teve que administrar, de um dia para outro, uma fazenda em Floraí (44 km de Maringá). De lá para cá, a agricultora derrubou alguns tabus como o fato de ter sido a única mulher a participar dos dias de campo da Cocamar.
''Até quando comprei a colheitadeira, chamei a atenção do pessoal da empresa porque eles ainda não tinham vendido máquina agrícola para uma mulher'', conta Cecília. Ela se dedica a culturas mecanizadas de inverno e verão em 138 alqueires na fazenda de Floraí, sendo que 60 alqueires deste total são arrendados para o cultivo de trigo. Antes de assumir a fazenda, Cecília era professora do ensino fundamental e não entrava em banco ''nem para pegar talão de cheques''. Ela lembra que enfrentou a insegurança partindo em busca do conhecimento.
''Meu mundo antes era outro. Nem tinha idéia sobre sementes, adubos ou de como planejar a próxima safra'', lembra Cecília.
Nestes últimos anos, a agricultora já se vangloria de ter aumentado a produção na fazenda, incluindo o fato de ter ampliado a estrutura com aquisição de maquinários e usar produtos de alta tecnologia nas lavouras.
Cecília conta que além dos dias de campo, participou na cooperativa de grupos de estudos. ''Não balancei nem com a geada de 2000 e hoje, além de pagar os prejuízos daquela safra perdida, ainda permaneço firme na atividade'', afirma a agricultora.
Ela diz que além de funcionários dedicados - são quatro na fazenda - contou com a solidariedade de profissionais da cooperativa e principalmente com a ajuda de Deus. ''Venci na agricultura, graças a Deus''.
Hoje a rotina de Cecília se resume em cuidar, além da casa e dos três filhos, na administração da fazenda e passagens pelo banco e cooperativa. A agricultora ainda é vice-presidente da Apae e faz parte da diretoria da Casa de Nazaré, entidade voltada a adolescentes em situação de risco.
Nas folgas arranja tempo para a pintura em porcelana. Segundo Cecília, o maior sonho é poder administrar também uma fazenda com 181 alqueires que era do marido e mais um sócio em Mamborê (36 km de Campo Mourão). ''Por causa da distância com Maringá, a fazenda está arrendada, mas ainda quero cultivar em outros espaços'', diz Cecília.
Conforme Cecília, as mulheres não devem ficar à margem dos negócios do marido. ''O esposo deve estar disposto a convidar a mulher para conhecer a atividade e a esposa deve aceitar o convite e de fato participar e aprender'', orienta. Para o governo a agricultora deixa um recado: ''Se a política agrícola fosse de incentivo, com uma carga tributária menor, o País estaria tranquilo, porque a riqueza do Brasil está na agricultura.''

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