Comercializar alimentos artesanais em supermercados é um desafio para pequenos produtores, que muitas vezes não possuem estrutura para atender às exigências burocráticas dos grandes compradores. Na região de Londrina, um grupo de representantes do setor venceu essa dificuldade através do associativismo. Há quatro anos, foi criado o departamento rural da Associação do Desenvolvimento da Indústria Informal do Paraná (Adipar). A entidade, que oferece apoio para a legalização da produção artesanal, está ajudando os pequenos proprietários a vencerem as dificuldades do trabalho informal.
O agricultor Edson Parra, vice-presidente da Adipar e produtor de doces, compotas e conservas artesanais no patrimônio Heimtal (zona norte de Londrina), informou que a associação fornece a nota fiscal dos produtos, um contador que faz a contabilidade das propriedades e cede o código de barras para as embalagens. ''Se cada produtor tivesse que providenciar todas essas exigências, ficaria muito caro e tornaria a atividade inviável'', avaliou.
Atualmente, a associação possui aproximadamente 300 sócios no Estado, 20 deles no departamento rural. A produção de alimentos inclui doces, massas, salgados, queijos e conservas, entre outros itens.
Doces caseiros
Ex-professor de Educação Física, Parra abandonou a profissão para se tornar agricultor. Ele começou a produzir doces artesanais há oito anos, quando desanimou com os baixos preços da soja. Na época, a prefeitura de Londrina promovia feiras do produtor em praças da cidade. ''Minha mãe sabia fazer as compotas, por isso resolvemos participar'', revelou.
Como a venda nas feiras se mostrou compensadora, Edson e outros produtores passaram a buscar a legalização da produção na vigilância sanitária. ''Foi por isso que procuramos a Adipar'', lembrou. Atualmente, continua produzindo grãos na propriedade de 13 alqueires, mas a principal atividade é a confecção de 20 itens de alimentos artesanais.
Doces de frutas em compota e cristalizados, conservas de legumes e tomate seco integram a lista de produtos caseiros que levam a marca Família Parra. Mensalmente, são comercializados 400 quilos de alimentos. ''A produção é sazonal, de acordo com a matéria-prima disponível'', contou Edson, que também vende 100 quilos mensais de couve processada, cultivadas na propriedade.
Crescimento
Hoje em dia, a produção da família Parra é vendida para os supermercados Viscardi e Big, em Londrina. ''Não precisamos mais participar das feiras'', disse, lembrando que a Folha Rural também colaborou com o crescimento da atividade. ''Há alguns anos atrás, o jornal fez uma matéria sobre a Adipar que chamou a atenção de muita gente'', relatou.
Na propriedade trabalham Edson, uma prima, o pai e a mãe do agricultor, Nadir Parra, que é a responsável por dar o ponto nos doces. ''Ela dá o toque final'', observou o filho. A família produz 30% da matéria-prima utilizada. O restante é comprado no Ceasa ou de produtores parceiros, que cultivam produtos de acordo com as necessidades de Parra.
Para atender às exigências da vigilância sanitária, foram investidos R$30 mil na construção de uma cozinha separada. Os doces são vendidos em potes de 10 quilos para comercialização a granel ou em embalagens individuais de 600 gramas. ''Entregamos toda semana, as pessoas têm gostado'', comentou.
Queijo
Wilson Hort é outro produtor beneficiado pela Adipar. Desde 1959 sua família produz queijo frescal artesanal, mas há um ano atrás, quando passaram a contar com a estrutura da entidade, a produção aumentou 35%. ''Antes de me associar, era difícil vender em supermercados porque a burocracia exigida é muito grande'', analisou.
Outra vantagem, segundo Hort, é a realização da contabilidade do negócio. Como emitimos notas e fazemos o balanço, também podemos comprovar renda. Isso facilita na hora de pedir financiamentos'', acrescentou.
No Sítio São Ricardo, localizado na Gleba Jacutinga (zona norte de Londrina), trabalham Wilson e a esposa, Hilda Soares Hort, além de uma funcionária que faz a limpeza. Eles confeccionam mil quilos mensais de queijo frescal. O Queijo do Alemão, marca do produto, é comercializado em supermercados, padarias e açougues de Londrina a preços que variam de R$5,80 a R$6,80.
Encomendas
O casal também produz, sob encomenda, doce de leite, ricota e mussarela, entre outros itens, todos confeccionados de forma artesanal. O leite utilizado pelos produtores vem de um laticínio que envia a matéria-prima integral pasteurizada e embalada, com 3,5% de gordura e sem aditivos químicos.
Para conseguir o selo da vigilância sanitária municipal, há cinco anos atrás, a família precisou adequar a cozinha com tela, pisos e azulejos diferenciados, panelas e pias de aço inox que são de fácil higienização e evitam a proliferação de bactérias. De acordo com Hort, o investimento necessário foi R$ 25 mil. ''Na época, utilizei recursos próprios, mas depois fiz um financiamento pelo Pronaf para reformar o negócio. É preciso investir sempre'', afirmou.

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