Uma tese de doutorado desenvolvida pela coordenadora do curso de Ciências Econômicas da Unopar EAD, Regina Malassise, intitulada "O comportamento do preço da terra agrícola: uma análise espacial para o Estado do Paraná", também mostra de forma clara essa ligação do valor do hectare ao preço da soja. Segundo o estudo da economista, o preço médio real do hectare de terra saltou de R$ 2.420 em 1999 para R$ 5.054 em 2010, alta de 108,8%. Quando analisados os valores nominais (incluída a inflação), o salto é ainda mais significativo, saindo da casa dos R$ 2 mil para acima de R$ 14 mil no mesmo período estudado.
Não por acaso, em 2015, encontra-se o melhor tipo de terra do Estado (roxa e mecanizada) com valores nominais que já atingiram a casa dos R$ 48 mil, como no município de Boa Esperança, na região de Goioerê. Em 2005, o valor desse mesmo hectare girava na casa dos R$ 11,2 mil. Uma valorização de 328,5%. Em Londrina, por exemplo, o salto foi de R$ 14,4 mil para R$ 32,7 mil, alta de 127%.
Regina relata que tais valorizações no Estado estão ligadas, principalmente, à área de soja plantada, o Valor Bruto da Produção (VBP) Agropecuária, o tipo de solo e também o volume de financiamentos agropecuários na região. "A região que possui a chamada terra roxa (latossolo) é a área de fronteira agrícola mais utilizada e com maior crescimento de valores. As regiões Oeste e Norte, partindo de Foz do Iguaçu até Maringá, tiveram aumento inclusive acima da média apresentada."
No caso dessas áreas, a opção é pelas commodities de maior valor agregado e com demanda certa e crescente, como é o caso da soja. "A produção de soja está diretamente ligada ao preço da terra. Em 2010, inclusive, quando o preço da saca da oleaginosa caiu devido a excesso de produção mundial, isso logo refletiu nos valores de comercialização da terra nua no Estado", justifica a pesquisadora.
Outro pontos importantes da tese são o peso do VBP e os financiamentos. "Os financiamentos representam, de certa forma, o grau de organização da estrutura produtiva das regiões analisadas. Ter acesso aos financiamentos agrícolas e pecuários exige uma série de pré-requisitos que explica também o tipo organização da propriedade. Os financiamentos acabam mostrando o uso produtivo das terra. E quanto maior o volume de financiamento, maior o preço delas." (V.L.)

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