Produtores paranaenses devem obedecer determinação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e não fazer plantio de soja de 15 de junho a 15 de setembro. O vazio sanitário é uma das estratégias para o controle da ferrugem asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi), doença que nos últimos anos tem provocado diversos prejuízos à cultura. Na safra 2006/2007, US$ 615,7 milhões foram perdidos com as 2,67 milhões de toneladas que foram atingidas com a ferrugem.
O vazio sanitário, que já vem sendo adotado por outros estados produtores, tem como finalidade impedir que as condições para a sobrevivência do fungo sejam mantidas no campo na entressafra. As áreas de safrinha ou de produção de semente servem como ponte verde para o fungo, que necessita da planta viva para se manter vivo e se multiplicar.
Em 2007, foi publicada pelo Mapa a Instrução Normativa Número 2, que instituiu o Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja (PNCFS). Entre outras diretrizes, a IN estabelece que os estados deveriam criar seus Comitês Estaduais de Controle da Ferrugem Asiática da Soja e que as instâncias intermediárias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (SUASA) em cada estado, deveriam estabelecer um calendário de semeadura de soja, com um período de pelo menos 60 dias sem a presença de plantas cultivadas ou voluntárias.
A determinação do Mapa no Paraná foi regulamentada pela Resolução nº 120 da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná. Ela proíbe o cultivo e implantação de soja, a manutenção de plantas vivas, exceto para pesquisa, que tem regras específicas durante o vazio sanitário.
Desta forma, de 15 de junho a 15 de setembro ficam proibidas áreas de soja no Paraná. Os outros estados definiram épocas distintas para o vazio sanitário, mas a prática vem sendo implantada desde 2006, quando foi determinada em Mato Grosso, Tocantins e Goiás. No ano seguinte, chegou ao Mato Grosso do Sul, Maranhão, Minas Gerais e São Paulo. Paraná e Bahia adotam o vazio sanitário este ano.
Até 14 de junho, todas as plantas vivas ou remanescentes devem ser eliminadas. Todas essas medidas são de responsabilidades do proprietário ou arrendatário da área. O transportadores do produto que circularem pelas estradas paranaenses também deverão tomar medidas para impedir a queda de grãos de soja.
Quem desobedecer a determinação estará sujeito a penalidades que vão de advertência, multa, até a interdição da propriedade. A Defesa Sanitária Vegetal (DSV) do Departamento de Fiscalização da Seab é a responsável pela fiscalização das áreas no estado.
A fitopatologista Cláudia Vieira Godoy, da Embrapa Soja, afirma que a medida é importante para o controle da doença e já são verificados alguns resultados. ''Onde existe o vazio, a ferrugem apareceu mais tarde e mais fraca'', diz.
Estratégias de manejo da doença são importantes para o bom desempenho das lavouras no país. Segundo Cláudia, no Brasil há condições que favorecem o surgimento da doença, que não existem em outros locais. ''Aqui a soja é plantada durante todo o ano, ao contrário de outros paíse onde o 'vazio' acaba sendo natural em virtude de um inverno rigoroso'', compara a pesquisadora.

mockup