Vassoura de sítio
Vassoura de sítio é assim, sobrevive aos tempos modernos, trazida sabe-se lá de onde na evolução humana
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sábado, 11 de maio de 2019
Vassoura de sítio é assim, sobrevive aos tempos modernos, trazida sabe-se lá de onde na evolução humana
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Vi, há algum tempo, uma reportagem da Folha de Londrina que mostrava pessoas fazendo vassouras dessas que se vendem na rua. Feita com palha de sorgo-vassoura, e é importante meio de subsistência pra muita gente. De vez em quando passa uma pessoa e oferece: “- Vai uma vassoura aí?”. A gente acaba comprando uma porque volta e meia a vassoura da casa está meio gasta e fica com aquela ponta de lado que acaba não varrendo mais nada.
Às vezes se faz um furo no cabo pra pendurar num prego fincado na parede, no estilo gambiarra, ou na melhor das hipóteses naquelas pequenas armações de plástico que se compram nas lojas de utilidades domésticas. Coloca-se atrás da porta como que para esconder esses objetos de limpeza que não são de maneira alguma abjetos, mesmo recolhendo sujeiras e dejetos de cachorros no quintal ou folhas das árvores da rua.
Há também a vassoura de plástico que se compra no comércio em geral que traz mais beleza ao produto, multicolorida, cabo encapado e sem contar que o plástico é lavável. Mas, claro, infelizmente quebra ou desgasta. Cabo de metal enferruja e cabo de madeira apodrece. A vassoura de sítio é mais saudosista, nos remete a um tempo em que a coisas do campo eram mais fortes, duravam mais e demoravam para se decompor. Na esteira da ecologia a vassoura de sítio ainda sai ganhando. Mas é claro que em apartamento o pessoal quer coisa mais moderna e que não saia um galho ou outro no meio da sala ou da cozinha quando se está varrendo.
A vassoura de sítio é meio esparramada, larga, não cabe naqueles pequenos armários onde ficam também rodinhos, pazinhas e desinfetantes. Já em casa, fica na área de serviço ou garagem, pendurada no canto que atrapalha menos. Mas nada impede que se use a vassoura de sítio em prédio.
Vassoura de sítio é assim, sobrevive aos tempos modernos, trazida sabe-se lá de onde na evolução humana. Quem sabe na idade da pedra já não tinha uma vassoura de cabo de madeira lascada com um monte de palha amarrado na ponta com um pedaço de cipó? É, não cheguemos a tanto! Mas que deve sido coisa de gente com hábito de limpeza, ah,isso sim! Lembro que mesmo nas mais humildes moradias de terra batida havia uma vassoura de palha num cantinho da casa.
Mais do que uma necessidade, da moradia mais simples à mais luxuosa, chega a ser uma instituição que atravessa os tempos e as condições sociais, podendo-se dizer que a vassoura preserva-se como um dos objetos mais democráticos de todos os tempos.
E para se desfazer das velhas vassouras? É um problema. Pois o cabo muitas vezes ainda está bom, mas a vassoura está em frangalhos. Por vezes, mais raramente, o cabo quebra por algum motivo e se tenta aproveitar a vassoura que está boa tirando o prego e colocando o cabo de alguma outra vassoura que já está no fim da picada. Se tiver sorte a vassoura fica mais ou menos no jeito pra varrer, caso contrário,o arame solta, o prego fica torto, a palha afrouxa e os seus vizinhos vão ter do que dar risada por muito tempo com você. Pelo sim, pelo não, seria de bom alvitre comprar uma vassoura nova quando passar o vendedor de vassouras na rua. Olha lá ele chegando! E lá se vão alguns reais bem gastos.
Dailton Martins, é leitor da FOLHA


