Como as principais espécies comerciais cultivadas na região são suscetíveis a essa doença, o produtor é obrigado a fazer sucessivas aplicações de agrotóxicos, para conseguir bons índices de produção. Sem um controle permanente, a requeima chega a causar quebras de 100% na variedade bintje e de 80% na monalisa.
Em anos de condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da doença, é preciso fazer até 30 pulverizações durante o ciclo de vida de 120 dias das plantas, em variedades suscetíveis. Pesquisadores do Iapar desenvolveram nos últimos 15 anos a variedade Iapar-82, conhecida comercialmente como Araucária, que está no mercado há dois anos. Essa variedade é resistente à requeima e outras doenças causadas por fungos, além de estar adaptada às condições de clima e solo da região.
Para o gerente técnico da Associação dos Bataticultores do Paraná (Abapar), Luiz Alberto Bueno, a Araucária é uma variedade que tem boas condições de crescer no mercado. ‘‘A tendência do consumidor é buscar cada vez mais alimentos ecologicamente corretos. Para isso o produtor precisa de variedades resistentes a doenças’’, diz.
O Paraná já foi o maior produtor de batatas do Brasil; hoje é o segundo Estado em produção, perdendo para Minas Gerais. Nos últimos cinco anos mais da metade dos bataticultores abandonaram a atividade (ver tabela). Em parte, pelos altos custos de tratos culturais. ‘‘A redução da necessidade do uso de agrotóxicos vai manter aqueles que ainda estão na atividade, devido aos menores custos’’, opina o gerente técnico.
Ainda é pouco‘‘A área cultivada com a variedade Araucária ainda é pequena, mas acreditamos que ela cresça rapidamente’’, explica o engenheiro-agrônomo e pesquisador da Área de Proteção de Plantas do Iapar, Nilceu de Nazareno, responsável pela nova variedade.
Em propriedades com baixa utilização de tecnologia nas lavouras, a produção fica em torno de 15 mil quilos por hectare. mas o potencial da lavoura é grande. Em área com maior nível tecnológico, que utilizam irrigação artificial por exemplo, a produção sobe para 25 mil quilos por hectare. Ainda é baixa; nos Estados Unidos, conta o pesquisador, a média por hectare chega a 50 mil quilos por safra.
A alta umidade e manutenção de temperaturas entre 12 e 18 graus centígrados são as condições ideais para a multiplicação dos fungos da requeima. Os custos com as pulverizações podem chegar a 20% dos custos totais da lavoura. Considerando que o custo médio de uma saca de 60 quilos de batata está entre R$13,00 e R$14,00, a economia seria de R$1,50 a saca, se as pulverizações fossem dispensadas.
Considerando que a produção gira em torno de 250 sacas por hectare e que o preço médio pago ao produtor pela saca de 60 quilos normalmente fica próximo dos R$14,00, o cultivo de variedades resistentes à requeima gera uma renda extra significativa, garante o pesquisador.
No campo experimental de batatas do pólo regional do Iapar em Curitiba há 25 tipos (entre espécies, variedades, clones) de batatas sendo testadas. Dessas, a Araucária tem se mostrado a mais resistente à doença. ‘‘Estamos apresentando essa variedade para os produtores orgânicos, um nicho de mercado que tem muito interesse em cultivar espécies mais resistentes’’, explica o pesquisador. Enquanto o quilo de batatas convencional custa R$0,50 ao consumidor, a batata orgânica chega a R$1,50.

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