Variedade resistente à requeima
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de maio de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
Como as principais espécies comerciais cultivadas na região são suscetíveis a essa doença, o produtor é obrigado a fazer sucessivas aplicações de agrotóxicos, para conseguir bons índices de produção. Sem um controle permanente, a requeima chega a causar quebras de 100% na variedade bintje e de 80% na monalisa.
Em anos de condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da doença, é preciso fazer até 30 pulverizações durante o ciclo de vida de 120 dias das plantas, em variedades suscetíveis. Pesquisadores do Iapar desenvolveram nos últimos 15 anos a variedade Iapar-82, conhecida comercialmente como Araucária, que está no mercado há dois anos. Essa variedade é resistente à requeima e outras doenças causadas por fungos, além de estar adaptada às condições de clima e solo da região.
Para o gerente técnico da Associação dos Bataticultores do Paraná (Abapar), Luiz Alberto Bueno, a Araucária é uma variedade que tem boas condições de crescer no mercado. A tendência do consumidor é buscar cada vez mais alimentos ecologicamente corretos. Para isso o produtor precisa de variedades resistentes a doenças, diz.
O Paraná já foi o maior produtor de batatas do Brasil; hoje é o segundo Estado em produção, perdendo para Minas Gerais. Nos últimos cinco anos mais da metade dos bataticultores abandonaram a atividade (ver tabela). Em parte, pelos altos custos de tratos culturais. A redução da necessidade do uso de agrotóxicos vai manter aqueles que ainda estão na atividade, devido aos menores custos, opina o gerente técnico.
Ainda é poucoA área cultivada com a variedade Araucária ainda é pequena, mas acreditamos que ela cresça rapidamente, explica o engenheiro-agrônomo e pesquisador da Área de Proteção de Plantas do Iapar, Nilceu de Nazareno, responsável pela nova variedade.
Em propriedades com baixa utilização de tecnologia nas lavouras, a produção fica em torno de 15 mil quilos por hectare. mas o potencial da lavoura é grande. Em área com maior nível tecnológico, que utilizam irrigação artificial por exemplo, a produção sobe para 25 mil quilos por hectare. Ainda é baixa; nos Estados Unidos, conta o pesquisador, a média por hectare chega a 50 mil quilos por safra.
A alta umidade e manutenção de temperaturas entre 12 e 18 graus centígrados são as condições ideais para a multiplicação dos fungos da requeima. Os custos com as pulverizações podem chegar a 20% dos custos totais da lavoura. Considerando que o custo médio de uma saca de 60 quilos de batata está entre R$13,00 e R$14,00, a economia seria de R$1,50 a saca, se as pulverizações fossem dispensadas.
Considerando que a produção gira em torno de 250 sacas por hectare e que o preço médio pago ao produtor pela saca de 60 quilos normalmente fica próximo dos R$14,00, o cultivo de variedades resistentes à requeima gera uma renda extra significativa, garante o pesquisador.
No campo experimental de batatas do pólo regional do Iapar em Curitiba há 25 tipos (entre espécies, variedades, clones) de batatas sendo testadas. Dessas, a Araucária tem se mostrado a mais resistente à doença. Estamos apresentando essa variedade para os produtores orgânicos, um nicho de mercado que tem muito interesse em cultivar espécies mais resistentes, explica o pesquisador. Enquanto o quilo de batatas convencional custa R$0,50 ao consumidor, a batata orgânica chega a R$1,50.


