ViabilidadeMáquina de colher algodão. Agora existe uma variedade de planta adaptada à colheita mecânicaO agrônomo Delano Gondim, pesquisador da Área de Melhoramento Genético do Algodoeiro, da Cooperativa Central Agropecuária de Desenvolvimento Tecnológico e Econômico (Coodetec), com sede em Cascavel (Oeste do Estado), acredita que a variedade Coodetec 401, desenvolvida por aquela cooperativa, pode ajudar na retomada da cotonicultura no Paraná. ‘‘A variedade é resistente ou tolerante a todas as doenças que ocorrem no Estado, além de representar um alto rendimento de fibra, em torno de 37,5%’’, afirma Gondim.
ProduçãoNo ano passado o algodão ocupou no Paraná 59 mil hectares. Há 10 anos, apenas a região de Londrina tinha uma área superior a 18 mil hectares, que produziram 22 mil toneladas de algodão em caroço. Esse quadro, no entanto, foi modificado radicalmente: na última safra foram cultivados, na região de Londrina, 813 hectares, nos quais foram produzidas 1.771 toneladas.
A Bahia é o maior produtor nacional de algodão, com uma área plantada de 120 mil hectares, seguida por Goiás com 70 mil hectares. O Paraná aparece em quarto lugar; São Paulo é o terceiro maior produtor. A produção atual do Paraná é de 126 mil toneladas de algodão em coroço.
O pesquisador Delano Gondim prevê que a área a ser plantada com Coodetec 401 deverá ser de 40 mil hectares, que deverão produzir aproximadamente 100 mil toneladas. Ele diz que a cooperativa investiu em torno de US$ 5 milhões para desenvolver essa nova variedade.
Segundo Delano Gondim, a Coodetec 401 é a primeira variedade brasileira adaptada para colheita mecânica. ‘‘As impurezas são anuladas quando se trabalha com colheita mecânica’’, garante o pesquisador. ‘‘Este ano colhemos 760 hectares com Coodetec 401 mecanizados e praticamente em toda produção não tivemos descontos com impurezas’’, acrescenta Gondim.
PerdasEle argumenta que a finalidade da colheita mecânica é justamente melhorar a qualidade do produto colhido. As perdas com a Coodetec 401 variam entre 3% e 5%, segundo Delano Gondim. ‘‘Na colheita manual com o sistema de rapa que vem sendo utilizado, as impurezas variam entre 10% e 25%’’, compara o pesquisador da cooperativa de Cascavel.
O custo da colheita mecanizada é de R$ 1,30 por arroba; na colheita manual, ‘‘dependendo do ano, varia de R$ 1,50 a R$ 2,00’’, salienta Delano Gondim. No Paraná, informa o pesquisador, existem dois tipos de colheitadeiras mecanizadas: a de duas linhas, que colhe entre 600 e 800 arrobas por dia, fazendo o trabalho de até 160 pessoas; e a de quatro linhas, que colhe entre 800 e 1.200 arrobas/dia, que substitui 240 pessoas.
QualidadeO pesquisador Delano Gondin conta que existe diferença na qualidade da fibra entre as duas maneiras de colher o algodão, ‘‘pois na colheita mecânica o tipo de fibra é de qualidade superior’’. Gondim faz questão de dizer que a condução para a colheita mecânica deve ser totalmente diferenciada desde o plantio.
‘‘É preciso adotar a semente deslintada, plantando-se de 13 a 17 sementes por metro linear, com espaçamento de 90 centímetros, que é o mais adequado para os diversos tipos de colheitadeiras e, durante o desenvolvimento vegetativo, deve-se dar atenção especial ao uso de fitorreguladores, de maneira que a planta não vegete muito, já que o ideal em termos de altura é de 1,10 a 1,30, explica Delano Gondim.

mockup