''Vaquinha'' do milho tem controle natural
Uma ''planta artificial'' com características atrativas e ao mesmo tempo fatais à ''vaquinha'' (praga comum em lavouras de milho) é a proposta de uma nova isca natural desenvolvida pelo professor Maurício Ursi Ventura, do departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A tecnologia, inédita no Brasil, foi apresentada aos participantes da 8ª Reunião Sul Brasileira de Pragas de Solo, realizada em Londrina na semana passada.
Para obter as iscas, Ventura analisou a relação entre os insetos e suas plantas hospedeiras, observando quais as características que mais apreciavam. Concluiu que o produto, para ser eficiente, deveria ser amarelado, com gosto amargo e cheiro de flores. Com base nessa informação, desenvolveu um pó amarelo, rico em uma substância amarga que estimula o inseto a se alimentar compulsivamente. Acrescentou, então, aromas de flor.
A técnica já se mostrou eficiente, mas só estará disponível aos produtores dentro de um ano. O desafio da pesquisa, agora, é determinar a quantidade de armadilhas e iscas necessárias para conseguir o controle efetivo do inseto, além de investigar se o custo é viável para produção em larga escala. ''Acredito que será mais barato que as opções já existentes'', disse.
A tecnologia pode ser utilizada na forma de armadilhas ou iscas. A primeira opção consiste em espalhar pela lavoura garrafas pet amarelas com o pó amargo e um sachê com cheiro de flor. Atraídas por essa ''planta artificial'', as vaquinhas acabam ficando presas nos recipientes. De acordo com o professor, essa alternativa é recomendada para pequenas áreas.
Em espaços maiores, onde seria inviável utilizar armadilhas, ele propõe adotar as iscas. A idéia é espalhar o pó em uma parte da propriedade, atraindo grande concentração de insetos. Após conseguir reuní-los, o agricultor aplica o inseticida apenas naquela área.
A vantagem, segundo Maurício Ventura, é que a isca natural é menos agressiva ao meio ambiente. Outra característica é que controla a praga na fase adulta, mas antes que coloque ovos. Atualmente, para eliminar a praga em lavouras de milho, trigo e batata, cujas raízes são atacadas pelas larvas do inseto, os agricultores precisam aplicar inseticidas no solo. ''Dessa forma, aumentam os riscos de contaminar o lençol freático'', comentou.
Hortaliças, frutas e feijão são atacados por insetos adultos. Nesse caso, o controle é feito pela aplicação aérea de inseticidas. ''Além da possibilidade de contaminação, o inseticida pulverizado perde a ação rapidamente, facilitando a reinfestação'', acrescentou. ( C.A)





