O sistema de plantio direto é complexo e envolve muito mais do que a correção do solo e o uso de maquinário adaptado. É preciso conhecer muito bem a estrutura do solo, a planta, as pragas e doenças, além dos microorganismos associados à lavoura. Monitoramento é palavra de ordem.
  Num sistema consolidado, no qual os organismos estão em perfeito equilíbrio, a fertilidade do solo é maior e a tolerância da planta à pragas e doenças também é superior, explica a entomologista Lenita Jacob Oliveira, da Embrapa Soja. ‘‘É na fase de conversão que a proporção dos organismos no solo muda e o produtor tem a impressão de que o problema é maior do que realmente 钒, afirma.
  Quanto maior a biodiversidade do solo, maior o número de espécies benéficas como insetos predadores, decompositores e geófagos (comedores de solo), assegura o agrônomo George Brown, pesquisador da Embrapa Soja na área de ecologia do solo. ‘‘Com o plantio direto o produtor troca o arado metálico pelo arado biológico’’, brinca.
  Para Brown, acabar com a biodiversidade é destruir o capital do produtor. ‘‘O ideal é manter a biomassa microbiana no solo e torcer para que ela aumente com o tempo’’, diz. Segundo ele, essa biomassa é um importante bioindicador de problemas da lavoura e a escala de resposta depende do organismo. ‘‘O trabalho do produtor é identificar o que é predador e o que é parasita. Quanto mais predadores, mais benefícios para a lavoura, pois eses organismos mantêm o equilíbrio do solo’’, completa. (M.G.)

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