Vantagem está na hora de comercializar
A irregularidade na ocorrência de chuvas provocou queda na produtividade e no tipo da soja este ano. Na região de Assaí (36 km a leste de Londrina) e Jataizinho (21 km a leste de Londrina), onde estão sete dos 10 produtores que lidam com a cultura, a queda foi de quase 50%. Como é o caso do agricultor Lauro Tetsuo Okamura, que colheu apenas 45 sacas das 110 sacas que esperava colher por alqueire. ''Foi o pior resultado que tivemos desde que optamos por trabalhar com a soja orgânica, há quatro anos'', reclama.
Okamura, que é presidente da Associação dos Produtores de Orgânicos da Região de Londrina (Apol), possui uma área de 25 alqueires destinados à cultura da soja orgânica. Ele diz que o excesso de chuvas no período de crescimento da soja provocou o esfriamento da terra e consequentemente um retardo no desenvolvimento da lavoura. Depois, no período de floração, a região sofreu com a estiagem causando dessa vez o abortamento das flores. A chuva voltou no período de ''canivete'' (formação das vagens), aí, o excesso de água influenciou na formação dos grãos deixando-os ''chochos''.
As chuvas, de acordo com o produtor, impediram ainda o controle do mato. Com isso, a soja colhida além da baixa produtividade, estava suja. Para atingir o tipo 1 de qualidade, Okamura explica que os grãos precisam estar bem formados, sem bandinhas e impurezas, pois a soja orgânica é destinada para o consumo humano e animal (farelo).
Sobre o custo da produção orgânica, Lauro Okamura esclarece que a economia feita com a não aplicação de venenos e herbicidas, quase empata com as despesas de mão-de-obra e combustível do maquinário. A vantagem da produção orgânica está na hora de comercializar a soja. Quando se consegue o tipo 1, segundo o produtor, a remunderação chega a ser de 40% superior ao valor pago pela soja convencional. Essa diferença, informa, é paga através de bonificação. Para a soja tipo 2, a bonificação é de 10%.
Mesmo com as intempéries ocorridas na safra, Okamura diz que já está pensando no preparo do próximo plantio. Na safra 2003/2004 o produtor planeja aumentar sua área de plantio direto. Pensando nisso, ele já fez o plantio da aveia preta (Iapar 61) que será usada como adubação verde da área e palhada para o plantio direto da soja. A variedade escolhida, segundo ele, possui ciclo mais longo e promove melhor cobertura da terra sem deixar espaço para as invasoras. Para os 23 alqueires restantes Okamura utilizará outra variedade de aveia, que deverá ser incorporada à terra pelo menos 45 dias antes do plantio da soja. ''Não temos subsídio nenhum mas, como temos um objetivo pela melhoria da qualidade do alimento que consuminos, trabalhamos de teimosos'', resumiu.
Segundo a agrônoma Ernestina Izumi Muraoka, da Emater de Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio), a colheita foi positiva para três produtores daquela região. O rendimento da soja foi de 90 sacas por alqueire. ''As chuvas aqui foram mais regulares e permitiram o manejo adequado que a cultura exige''. C.G.





