Depois da longa estiagem e das grandes perdas provocadas pelas geadas que atingiram o Paraná, os agricultores enfrentam o difícil momento de ‘‘reconstrução’’ de suas lavouras. Luiz Molinari disse estar buscando forças para recomeçar. Ele viajou, junto com um grupo de produtores, de Francisco Alves, no Oeste do Paraná, mais de 300 quilômetros para conhecer as novidades da Agribusiness 2000, em Arapongas.
‘‘Estamos em busca de novos conhecimentos para melhorar a propriedade’’, informa. Ele planta milho e soja. Para Molinari, depois do impacto das perdas o jeito é recomeçar. ‘‘Sou de uma família que vem de gerações trabalhando a terra. Sabemos que a situação no campo é precária, mas é disso que gostamos e sabemos fazer’’, afirma. Perguntado sobre o que gostaria de ganhar de presente no Dia do Agricultor, ele responde:‘‘ Pra mim, o melhor presente era não ter ocorrido essa geada. Mas, já que ela veio, agora temos que enfrentar a situação. Não tem outro jeito’’, conforma-se.
ValorizaçãoJoão Ferreira da Silva, também de Francisco Alves, acredita que o melhor presente para o homem do campo seria a valorização da atividade agrícola. ‘‘Se o Governo desse o incentivo necessário, através do pagamento justo dos preços dos produtos, este país seria outro. Não é justo trabalhar tanto, com um custo tão alto, e não ter nenhuma valorização’’, reclama. Ele confessa não ter mais estímulo para se manter no campo, mas não vai se aventurar para a cidade.‘‘Sem estudo e sem mão-de-obra qualificada ninguém vai a lugar nenhum’’.
Para João, o processo de esvaziamento do campo é irreversível. ‘‘Os filhos observam a labuta diária e a insatisfação dos pais. Eles não têm motivos para ficar na roça e vão em busca de uma vida melhor na cidade’’. Se nada for feito, João prevê que só os grandes continuarão na atividade agrícola, utilizando cada vez mais maquinaria. ‘‘Isso irá aumentar a pobreza e os problemas das grandes cidades’’, prevê.
João Luiz Marquini, de Sabáudia, concorda com as previsões sombrias sobre o futuro do homem do campo. Mas, garante que nunca deixará o trabalho na roça. Por maiores que forem as dificuldades, ele promete resistir. Ele planta soja e trigo e confessa ser um apaixonado pela agricultura. ‘‘Tenho 35 anos e acompanhei, nos últimos anos, uma grande transformação. Quando eu era menino, a colheita era um tempo de festa. Significava renda. Mas hoje essa época traz apenas preocupações, pois o produtor não sabe se terá condições de pagar as dívidas’’.
Marquini concorda que o esvaziamento é um fenômeno inevitável. ‘‘Tenho um menino de 12 anos e é quase certo que vou encaminhá-lo para outra atividade. O desrespeito das autoridades pela agricultura deixa o produtor numa situação insustentável’’. Ele também afirma que ‘‘só os grandes terão condições de permanecer’’. Mas, como um apaixonado pelo campo, como presente, Marquini disse que gostaria de ganhar uma plantadeira. ‘‘Isso iria facilitar muito o meu plantio direto’’, justifica.

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