De acordo com o assessor técnico da Confederação Nacional da Agricultura, CNA, Paulo Sérgio Mustefaga, o aumento na exportação do couro não deverá afetar o mercado da carne. ‘‘Não vamos abater mais bois para atender o mercado exportador de couro. O couro é um subproduto do boi, sendo a carne o primeiro produto. Apenas um interesse maior pela carne é que poderia elevar o número de abates e, consequentemente, alterar o preço da arroba bovina.’’ Mustefaga acredita que esta é uma situação anormal de mercado e que não deverá persistir por muito tempo.
O técnico acredita também que quando a demanda mundial de couro estiver normalizada, os preços deverão voltar ao normal e a taxação para os tipos salgado e wet-blue deverá até prejudicar a exportação de couro.
Hoje a venda para o mercado externo dos tipos salgado e wet-blue é taxada em 9%. A taxa, segundo o presidente da CICB, José Roberto Scarabel, foi criada no ano passado para ‘‘promover um equilíbrio competitivo na Europa.’’ Ele considera que a taxação, embora possa restringir o comércio de couro brasileiro no mercado externo, foi um ‘‘mal necessário’’.
Segundo Scarabel o produto brasileiro entrava e saía (já transformado) naqueles países da Europa sem pagar nenhum imposto, prejudicando as indústrias do Brasil. ‘‘A Europa comprava o wet-blue, usava-o na indústria e depois vendia os produtos taxados para o Brasil.’’.
Para Mustefaga a medida transfere a renda da pecuária para o setor industrial de calçados e couros acabados. Na prática, estas indústrias querem garantir uma reserva de mercado na compra da matéria-prima. ‘‘A restrição às exportações pode causar excesso de oferta no mercado interno, reduzindo os preços dos couros salgado e wet-blue, que são comercializados principalmente por frigoríficos e pequenos curtumes espalhados pelo País.’’
De acordo com Mustefaga, a taxação ou qualquer tipo de medida que restrinja as vendas externas sob a alegação de agregar valor à produção representa retrocesso na desoneração das exportações agropecuárias promovida pela Lei Kandir.
‘‘Eventual elevação de preços internos e externos não é razão suficiente para esse tipo de medida, especialmente no caso de produtos não essenciais, como o couro. A interferência nos fluxos de comércio para regular preços causa alterações na distribuição de renda entre os segmentos da cadeia produtiva e gera ineficiência na indústria,’’ disse o técnico (C.B.)

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