Valorização do conhecimento

Paulo Varela Sendin
Na próxima semana inicia-se, poucos dias antes da comemoração dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, a 40ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. A conjugação dessas datas é bastante pertinente, pois uma das frases mais conhecidas da carta de Pero Vaz de Caminha, quando diz que aqui existia uma terra ‘‘...em tal maneira graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo...’’ se torna mais clara e verdadeira sempre que a Sociedade Rural de Paraná promove seu evento máximo.
Hoje, quando o processo de globalização, de que a viagem de Cabral já fazia parte, está atingindo seu auge, torna-se imperativo que o ‘‘...dar-se-á nela tudo...’’ seja completado com outros insumos que não apenas a terra ‘‘...em tal maneira graciosa...’’ A simples existência de boas terras, durante muito tempo a base do crescimento do Brasil e, mais ainda, do Norte do Paraná, não garante mais o produto final realmente competitivo. O homem, trabalhando às vezes contra a natureza ou, mais sabiamente, em cooperação com ela, vem adicionando ao ato de plantar, enunciado por Caminha, uma dose cada vez maior de conhecimento. É sobre conhecimento, na forma de informação e tecnologia, que se firma cada vez mais a Exposição de Londrina. E, dentro dela e como parte inseparável da mesma, essa inserção se dá de forma mais visível através da RURALTECH, evento promovido pela Adetec e que chega ao seu terceiro ano com um novo formato.
A RURALTECH 2000, ao se inserir definitivamente como parte da Exposição, apresenta neste ano uma característica inovadora, abrindo espaço para duas vertentes complementares da divulgação do conhecimento. Por um lado, mantém seu compromisso com a inovação tecnológica, ao continuar abrigando a Mostra Internacional de Tecnologias para o Agronegócio, onde 16 produtos e processos de interesse agrícola e agroalimentar vão ser apresentados e avaliados, concorrendo na obtenção de prêmios que somam R$12.000,00 e que serão distribuídos a seis propostas selecionadas em duas categorias, todas dentro do mesmo foco de agregação de valor à empresa rural.
Complementando esse aspecto tradicional da RURALTECH, abre-se uma nova frente que é a da organização e disseminação de conhecimentos de interesse para a gestão da empresa rural. No âmbito de toda a Exposição, dezenas de reuniões, palestras, dias-de-campos e outras atividades similares estarão concorrendo para o aperfeiçoamento da empresa rural. E, de maneira diretamente vinculada à RURALTECH 2000, três culturas, das mais importantes para o Paraná e para a região polarizada por Londrina, estarão sendo analisadas.
Em primeiro lugar, na segunda-feira, dia 10, das 14h às 18h, no Pavilhão Internacional do Parque Ney Braga, local onde se realiza toda a RURALTECH 2000, ocorrerá uma sequência de palestras em que se debaterá a safra de milho de 1999/2000. Organizado pelo Iapar e pela Fapeagro, esse evento pretende avaliar os sucessos e insucessos deste ano agrícola, que ora se encerra, de forma a dar subsídios ao produtor quando inicia o plantio da safrinha e planeja a safra de verão 2000/2001. Em seguida, na terça feira, dia 11, no mesmo horário, a cultura a ser avaliada será a da soja, sob a coordenação da Embrapa-Soja e da Fapeagro. Novamente aqui serão discutidos os aspectos técnicos e econômicos que afetaram a safra 1999/2000, inclusive a atual fase de comercialização, podendo os sojicultores paranaenses discutir as perspectivas de venda do produto e os cenários que estão sendo construídos para o próximo período de plantio. Finalmente e tão importante quanto os dois anteriores, teremos na sexta-feira, dia 14, também no mesmo local e horário, a avaliação da safra de algodão. Neste caso o evento está sendo organizado pelo Iapar, pela Coceal e pela Fapeagro, com a mesma preocupação de fornecer, aos agricultores e demais integrantes da cadeia produtiva do algodão, as informações indispensáveis para uma boa tomada de decisão quanto à gestão de suas empresas.
Com essas duas linhas de trabalho, o apoio à geração de inovações tecnológicas e à disseminação de informações úteis à boa gestão do Agronegócio, a Sociedade Rural, a Adetec, a Fapeagro e os demais parceiros que estão organizando a RURALTECH 2000 têm certeza de que estão contribuindo para que as palavras otimistas de Pero Vaz de Caminha sobre o futuro agrícola do Brasil não permaneçam na dependência exclusiva da terra ‘‘graciosa’’, mas também tenham o imprescindível suporte do conhecimento tecnológico e da boa informação. E, para acessar essa nova fonte de riqueza, complementar à ‘‘terra graciosa’’ a que os norte-paranaenses estão acostumados, basta ir até ao Parque de Exposições na próxima semana.
O autor é eng. agr.,diretor-administrativo da Fapeagro e analista em C&T do Iapar.

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