Valor dos negócios surpreende
Vânia Casado
De Curitiba
Nos 15 leilões realizados durante a Feira do Paraná, que aconteceu de 8 a 17, em Pinhais, região metropolitana de Curitiba, foram vendidos 266 animais e o faturamento totalizou R$586.972,00, quase 100% acima da expectativa inicial da Federação Paranaense das Associações de Criadores (Fepac), que previa comercialização total, no setor, de R$300 mil.
O presidente da Fepac, Ugo Rodacki, disse que o faturamento total é superior ao obtido nos leilões, porque ocorreram muitas vendas nos galpões. Ele citou como exemplo o leilão da raça simental, que foi cancelado na última hora em decorrência da intensidade das chuvas. Mas, posteriormente, foram vendidos 17 animais, e o faturamento chegou a R$42.200,00. A surpresa ficou com a realização dos leilões de bovinos charolês e limousin. O leilão de charolês foi o que mais vendeu, com um faturamento de R$165.620,00, referente à comercialização de 24 animais. O animal de maior valor saiu por R$33.600,00 e a média ficou em R$6.900,00.
Venda indiretaNo leilão da raça limousin foram vendidos 15 animais, por R$113.460,00. Durante o pregão, dois machos foram vendidos pelo maior valor, R$28 mil; um alcançou R$8.400,00 e uma fêmea foi vendida por R$7.000,00. Além da venda em leilão, quatro animais foram vendidos nos galpões.
No leilão de búfalos foram vendidos 69 bezerros, por R$23.800,00. Para Ugo Rodacki, que também é criador de búfalo, o volume desses animais na Feira do Paraná foi inexpressivo e reflete a falta de bezerros e bezerras no mercado, em função do abate de fêmeas ocorrido nos anos anteriores. Ele lembrou-se de quando os criadores mandavam em torno de 300 animais para serem comercializados durante a feira e por isso esse ano, o leilão de búfalos foi disputado. A média geral atingiu R$315,00 por bezerro.
Os quatro leilões de equinos totalizaram uma venda de R$153.890,00, sendo que o destaque foi o leilão de cavalos appaloosa, que rendeu R$69.720,00, com a venda de 26 animais. A média obtida na venda de appaloosa foi R$2.681,00 e o animal de maior valor foi comercializado por R$5.400,00. O leilão de cavalos árabe rendeu R$43.200,00 com a venda de 28 animais.
A comercialização total de bovinos e búfalos rendeu R$402.900,00 com a relização de seis leilões. O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Gado Caracu, Lício Isfer, destacou como positiva a comercialização da raça na Feira do Paraná. Foram arrecadados R$43.200,00 com a venda de 28 animais. Isfer ficou satisfeito com a média obtida de R$1.542,00 por animal. O animal de maior valor da raça caracu foi vendido por R$2.760,00,00.
Incentivo aos criadoresRodacki atribui o sucesso dos leilões à participação das associações de criadores que se empenharam em fazer um corpo a corpo junto a seus associados convocando-os para os leilões. Mas admitiu que recorreu a alguns mecanismos como redução nas taxas de inscrição e subsídios aos fretes, para convencer mais rapidamente os criadores.
As taxas de ingresso foram reduzidas em 75%. Em anos anteriores as taxas eram similares às exposições de Esteio (RS) e de Londrina, que cobram em torno de R$45,00 para equinos, R$25,00 para bovinos em turno único, R$22,00 para bovinos no segundo turno e R$20,00 para bovinos no primeiro turno.
A Fepac financiou ainda o custo do frete dos animais, o que ajudou a reduzir as despesas, disse Rodacki. O incentivo do frete foi restrito à participação dos animais de primeiro turno e turno único. Com essa estratégia foi possível elevar a participação para 250 argolas no primeiro turno, que obrigou a Federação a alugar mais 28 baias para abrigar os equinos.
Apesar dos problemas ocorridos com a terceirização da parte de shows e locação de espaços, Rodacki está confiante no sucesso da Feira do Paraná do ano 2000. Ele salientou que se o Estado conseguir a declaração de área livre de febre aftosa, a partir de maio de 2000, deverá aumentar a participação de animais do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que contribuem para a elevação do nível de material genético da feira. A participação desses animais na Feira do Paraná está proibida há três anos, por decisão do Ministério da Agricultura que declarou os dois Estados do Sul livre da febre aftosa.





