Pagar os insumos utilizados na condução da lavoura em mercadorias e não em dinheiro já é realidade para muitos produtores brasileiros. Cerca de 600 agricultores que utilizam defensivos da Milenia Agrociências S.A., empresa multinacional do setor, já realizam esse tipo de troca há pelo menos seis anos. ''É uma ferramenta que foi criada para alavancar as vendas da empresa, mas que se tornou um importante meio de comercialização da safra, o qual tem sido amplamente divulgado e cada vez mais aceito pelos agricultores'', garante o engenheiro agrônomo Miguel Antônio Grassano Abrão, gerente do departamento de projetos comerciais da Milenia.
Segundo ele, o mecanismo contribui para a redução nos custos do tratamento fitossanitário por hectare (ha). ''O produtor antecipa a venda de parte da safra, travando o custo de produção. Com um volume menor de soja ele pode comprar mais defensivo, semente, adubo'', diz.
Hoje, apenas um terço das lavouras brasileiras são financiadas pelos bancos, que impõem um limite de até R$ 110 mil por cadastro de pessoa física (CPF), informa o agrônomo. O restante das plantações é financiado por companhias produtoras de insumos e tradings. ''O objetivo do mercado futuro é permitir que os agentes envolvidos na cadeia produtiva de determinada commodity possam precaver-se contra oscilações de preços que interfiram na produção e comercialização'', avalia Abrão. Segundo ele, o mercado futuro contempla padronização do produto, conhecimento geral de formação de preços físicos e garantia de liquidação das operações.
De acordo com Abrão, na operação de hedge o produtor determina, em contrato, quanto irá gastar em insumos e assegura o pagamento em sacas de produto. No contrato é prevista a cotação da commodity na safra seguinte e fixada a quantidade de sacas necessárias para liquidar a dívida.
''O produtor pode ainda fazer um seguro em caso de alta ou queda no preço da commodity na data de validade do contrato. Se houver queda no preço do produto, o produtor recebe o diferencial em relação ao preço previamente estipulado. Já em caso de alta, o produtor não pagará nada além do que foi combinado no contrato'', afirma.
Segundo o agrônomo, no contrato com a empresa o produtor consegue travar apenas o custo dos defensivos, mas é possível também travar os gastos da safra inteira. Uma estratégia eficiente, para Abrão, é combinar a venda de pequenas quantidades de produtos durante as altas de preço. ''Dessa forma o agricultor cria o preço médio dele para cobrir custos e ainda obter lucro'', sugere.

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