Cláudia Barberato
De Londrina
A segunda etapa da vacinação dos rebanhos de bovinos e bovídeos contra a febre aftosa começou na última quarta-feira, dia 1º, em todo o Circuito Pecuário do Centro-Oeste. Além do Paraná, o Circuito inclui os Estados de São Paulo, parte de Minas Gerais, Sul de Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal. Quem não vacinar, além de comprometer todo o trabalho de defesa sanitária realizado por estes Estados será também multado. No Paraná a multa será de R$90,16 por cabeça não vacinada.
O objetivo é conseguir o reconhecimento como zonas livres da aftosa junto à Organização Internacional de Epizootias (OIE). Está prevista para até o dia 20, data de encerramento da campanha, a vacinação de 70 milhões de cabeças aproximadamente.
Com o reconhecimento pela OIE, os Estados do Circuito Centro-Oeste terão ampliado o mercado exportador de carne. Segundo o diretor da Defesa Sanitária Animal, da Secretaria de Agricultura do Paraná, Felisberto Baptista, o Estado tem um potencial para oferecer aos mercados compradores cerca de 200 mil toneladas de carne-ano, 800% a mais do que é exportado hoje. Outra vantagem é que, ao ser vendida para outros mercados, a carne brasileira poderá ter uma valorização na tonelada, estimada em mais de 30%.
O Paraná está sem foco da doença desde 1995. Mato Grosso do Sul está fora do Circuito Centro-Oeste por conta de uma caso da doença em janeiro deste ano. Os outros Estados do Circuito estão todos há mais de dois anos sem ocorrência.
O rebanho do Circuito Centro-Oeste é de 90 milhões de cabeças, dos quais 70 milhões estarão dentro da área que poderá ser reconhecida como livre de aftosa. ‘‘É rebanho suficiente para antender os mercados compradores, desde que se atendam as exigências. O Paraná, por exemplo, tem capacidade para vender 200 mil toneladas de animais inteiros por ano. Indústrias e frigoríficos terão que se adequar para atender a estes mercados’’, analisa Baptista.
VacinasSegundo o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), Nelson Antunes, os laboratórios reservaram para a segunda etapa da campanha 80 milhões de doses de vacinas para atender a demanda.
‘‘Essa região, que concentra a maior parte do rebanho bovino do País, está a um passo de ser considerada isenta da doença e o pecuarista precisa estar consciente de que um tropeço agora poderá comprometer todo o trabalho feito’’, avalia Antunes.

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