Vacina contra aftosa provoca reação
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sábado, 07 de dezembro de 2002
Reportagem Local 
Reações à vacina oleosa são consideradas normais. Mas, desta vez, os hematomas e inchaços no local da aplicação manifestaram-se de maneira acentuada, incomodando o gado. Alguns animais ficam apáticos e a mudança de comportamento atrapalha a alimentação normal podendo até retardar o ganho de peso. O número de animais que apresentam tal reação também foi maior nesta última campanha.
Informações que chegam às lojas de distribuição e aos técnicos são suficientes para sugerir que a reação foi além do índice considerado aceitável em outras campanhas. O agente da reação pode estar no diluente, e os técnicos consideram que a vacina oleosa é de absorção mais lenta. Isto varia conforme o animal e o método de aplicação. Às vezes, a aplicação é feita em local onde o espaço de absorção é demorado.
Para o médico-veterinário Walter Ribeirette, da DSA da Seab, o aparecimento de nódulos pode ser considerado normal na vacina oleosa. Não se considera normal, entretanto, a formação de pus, ressalva. Neste caso o pecuarista deve procurar um técnico e colher material para análise.
O Ministério da Agricultura admite a ocorrência da reação, mas até a última quarta-feira não havia recebido nenhuma denúncia formal. O médico-veterinário Antônio Araújo, responsável por testes de vacinas, apontou uma série de procedimentos necessários para fundamentar a reclamação e facilitar a identificação da causa.
Uma medida imediata é a coleta do medicamento da mesma marca no comércio ou na própria indústria; os testes de esterilidade e inocuidade do material vão apurar se a vacina tem algum agente contaminante.
O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) está orientando o produtor, em caso de reação, a entrar em contato direto com o laboratório fabricante da vacina. ''Há muito tempo não recebemos reclamação desta natureza'' - garante o médico-veterinário Sebastião Guedes, consultor do Sindan - que, porém, admite a ocorrência de casos de reação.
As falhas no manejo são a primeira hipótese levantada pelos técnicos. Mas - pergunta-se -, e quando a reação ocorre, como agora, nas fazendas bem estruturadas, com pessoal treinado?
A Folha Rural ouviu produtores, comerciantes e os técnicos, Antônio Araújo, do Ministério da Agricultura; Felisberto Q. Batista, chefe da DSA/Seab; Walter Ribeirette, da DSA/Seab; Sebastião Guedes, do Sindan; José Francisco, da Fazenda da Unopar; Onésimo Locatelli, Seab Núcleo Regional de Jacarezinho.
Segundo técnicos, falhas no uso da vacina são comuns. A causa pode estar aí. Ás vezes o peão mantém a vacina no bolso por muito tempo e isto pode comprometer a qualidade. Higiene e desinfecção da agulha são fundamentais.
Apesar de algumas divergências nos detalhes da aplicação, eles concordam que: a) Os produtores têm razão porque pode, sim, estar havendo reação além do normal, mas são reações ''inconsequentes'', ou seja, os animais se recuperam rapidamente, b) As reações são consideradas normais na vacina oleosa, c) Isto, porém, não dispensa uma boa observação no pós-vacina, d) O pecuarista deve procurar um técnico para tirar as dúvidas, e) Amostras de infecções devem ser encaminhadas ao Ministério da Agricultura, à Secretaria da Agricultura, ou à coordenação da Campanha de vacinação na região, através do Conesa.
Uma vez constatada a presença de pus é imprescindível a presença de um médico-veterinário na propriedade.


