Vacina contra aftosa é 100% segura
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sexta-feira, 10 de março de 2006
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Mariana Guerin
Reportagem Local
Constituída em parceria com o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), a Central de Selagem de Vacinas controla a qualidade de toda a vacina contra a febre aftosa produzida no Brasil. O processo de selagem, conforme explica o presidente do Sindan, Emílio Salani, é complexo e envolve onze etapas, entre elas as análises nos laboratórios de Referência Animal (LARA), em Porto Alegre (RS), de Apoio Animal (LAPA), em Recife (PE), e na fazenda experimental do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em Sarandi (RS).
A central, informa Salani, recebe as vacinas produzidas pelos seis laboratórios veterinários credenciados pelo Mapa, confere os volumes produzidos e aguarda a coleta de amostras, enviadas posteriormente aos laboratórios de controle do ministério em embalagens lacradas pelos fiscais do governo. As vacinas ficam em quarentena até a oficialização dos resultados dos testes. Só então os lotes aprovados são encaminhados ao setor de selagem, onde cada frasco recebe um selo holográfico de segurança, que se auto-destrói na tentativa de falsificação, diz Salani.
Após a selagem, as vacinas são disponibilizadas para comercialização. Os lotes reprovados são testados novamente e, em caso de comprovação da reprovação, são encaminhados, sob fiscalização, para incineração. O governo federal quer rastrear a produção e distribuição das vacinas até as revendas. E esse processo é totalmente seguro. Depois da compra nas revendas, a responsabilidade é do pecuarista, alerta o presidente do Sindan.
Hoje, a central, com sede em Vinhedo (SP), sela e distribui meio bilhão de doses anuais da vacina contra a aftosa. Entre o controle, a selagem e a disponibilidade para distribuição são consumidos seis meses de trabalho. Como a vacina tem 24 meses de validade, ela sai da central com validade de um ano, reforça Salani. Segundo ele, o Brasil produz hoje a vacina de emergência mais potente do mundo.
O cadastramento da distribuição das vacinas por estados e municípios permite ainda amplo acompanhamento do controle das campanhas oficiais de vacinação propostas pelo Mapa. Neste semestre, a central já tem disponível para comercialização 30 milhões de doses e outros 50 milhões em processo de selagem. Cerca de 160 milhões ainda aguardam liberação do Mapa. Em três meses já produzimos mais da metade da demanda esperada pelo governo, que é 380 milhões de doses para a campanha de vacinação de 2006, calcula Salani.
A próxima meta do Sindan é produzir uma vacina limpa que reduza ainda mais a margem de reatividade com o antivírus. Hoje, o índice aceitável é de 2%. No Paraná, por exemplo, os testes apontaram 12% de reatividade. Este índice somado ao manejo do rebanho apontam para a existência do foco de aftosa no Estado, apesar das lideranças estaduais defenderem o contrário, analisa.
Em alguns casos, a ineficácia da vacinação, assinala Salani, está relacionada ao mau acondicionamento das vacinas após a entrega nas revendas, tanto nas próprias lojas quanto nas propriedades, por falta de infra-estrutura. Ainda falta conscientização ao produtor, afirma o presidente do Sindan.
O mesmo procedimento de rastreabilidade usado na selagem e distribuição das vacinas contra a febre aftosa se repetem para as vacinas anti-rábicas. A selagem de vacinas anti-rábicas dobrou nos últimos três anos, crescendo de 60 milhões de doses para 113 milhões. Vale lembrar que a raiva não é erradicada e sim controlada, conclui Salani.


