Ter marca própria ainda é um sonho para o agricultor Laércio José de Pintor, 40, mas vinhos, sucos, geléias e doces produzidos com a uva orgânica cultivada na pequena propriedade de sua família, em Marialva (17 km a leste de Maringá), já chegaram à mesa dos consumidores. Atualmente, 100% da fruta que sai do sítio é beneficiada em fábricas da região.
Na contramão do título ostentado pelo município, ''capital paranaense da uva fina'', Laércio está abandonando cultivares como a Rubi para se dedicar a uvas rústicas. A opção pelo cultivo orgânico, segundo ele, foi motivada pela necessidade de ter um diferencial para competir no mercado. O beneficiamento também foi um esforço para garantir aumento da renda da família.
''A gente reparte os problemas com o pessoal da Rede e quem está de fora tem uma visão privilegiada para ajudar a melhorar. Recomendaram o uso da uva para sucos e hoje já estamos produzindo 11 mil garrafas (por safra)'', conta o produtor, que também contabilizou 295 garrafas de vinho na safra de 2004/2005. A família também cultiva soja e café na propriedade de 12 ha, mas são os três hectares de uva que respondem pela maior fatia dos rendimentos.
Ana Cristina, 33, esposa de Laércio, afirma que a qualidade de vida ''deu uma melhorada'' depois que a família começou a comercializar suco, há cerca de um ano e meio. ''Mas ainda tem as dívidas, porque levamos calote grande'', admite com preocupação. Já o patriarca Arcídio Pintor, 74, que chegou a Marialva com dona Célia, 74, em 1964, e trabalhou com milho, feijão e café, garante que ''hoje a vida é um pouco mais fácil''. (V.N.)

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